Sistema nacional de inovação: uma análise dos sistemas na Alemanha e no Brasil

Michele Mamede, Luciana Peixoto Santa Rita, Eliana Maria Oliveira Sá, Vanderleia Rafaelli, Denise Pinto Gadelha, Celi Cabral Sousa Junior, Natalino Uggioni

Resumo


O objetivo do estudo foi realizar uma comparação com base nas características e articulações do Sistema Nacional de Inovação (SNI) da Alemanha vis-à-vis o SNI brasileiro. O estudo é exploratório com abordagem qualitativa, uso da pesquisa bibliográfica e documental, da observação participante, com visita aos principais atores do SNI da Alemanha e Brasil e análise de dados secundários. Os resultados indicam que são características do SNI na Alemanha: a) alta proporção de P&D nas empresas; b) instituições de pesquisa de classe mundial; c) parcerias institucionalizadas empresas-universidades; d) elevado número em registros de patentes; e) formação profissional eficiente por meio de um sistema de ensino dual; f) investimento em educação em torno de 5,4% do PIB; g) estrutura de governança com responsabilidades partilhadas entre diferentes ministérios em diferentes níveis do sistema político e h) financiamento conjunto dos governos federal e estaduais para pesquisa. Por sua vez, o SNI brasileiro pode ser considerado complexo e pouco diversificado, composto, principalmente por instituições do setor público, sendo destaque na América Latina a inserção da FINEP/FNDCT, bem como a competitividade de empresas como a EMBRAER, Petrobrás e EMBRAPA. Como tal, as políticas brasileiras de estímulo à competitividade industrial se mostraram débeis e ineficazes, principalmente porque não ocorreu desenvolvimento do capital intelectual, mas apenas de importação de equipamentos que se distanciavam de um pensamento orientados à qualidade, inovação e competividade, já que esses temas só entraram em pauta com a abertura comercial da década de noventa.

 


Palavras-chave


Sistema Nacional de Inovação. Alemanha. Brasil.

Texto completo:

PDF

Referências


ALEMANHA. Panorama da Economia Alemã. Berlim: Ministério Federal de Economia e Energia da Alemanha, 2014. 30 slides. Color. Slides gerados a partir do software PowerPoint.

ASHEIM, B.T.; GERTLER, M.S. The geography of innovation: regional innovation systems. In: FAGERBERG, J.; MOWERY, D.; NELSON, R. (Ed.). The Oxford Handbook of Innovation. Oxford: Oxford, University Press, 2005. p. 291–317.

BOGAN, C. E.; ENGLISH, M. J. Benchmarking for best practices: winning through innovative adaptation. New York: McGraw Hill, 1994.

BRASIL. Ministério da Ciência e Tecnologia. Indicadores Nacional de Ciência e Tecnologia. [2011]. Disponível em: . Acesso em: 13 maio 2016.

BRASIL. Ministério da Ciência e Tecnologia. Indicadores Nacional de Ciência e Tecnologia. [2015]. Disponível em: . Acesso em: 13 maio 2016.

BRESCHI, S; MALERBA, F. Sectoral Innovation Systems. In: EDQUIST, C. Systems of Innovation: technologies, institutions and organization. Londres: Pinter, 1997. p. 130-56.

BUSH, V. Science, the endless frontier:a report to the President on a program for postwarscientificresearch. [1945]. Disponível em: <.https://archive.org/stream/scienceendlessfr00unit/scienceendle ssfr00unit_djvu.txt>. Acesso em: 20 fev. 2015.

CIMOLI, M. National System of Innovation: A note on technological asymmetries and catching-up perspectives. Rev. Econ. Contemp., Rio de Janeiro, v. 18, n. 1, p. 5-30, jan./abr. 2014.

COOKE, P. Introduction: origins of the concept. In: BRACZYK, H.J.; COOKE, P.; HEINDEREICH, M. (Ed.). Regional innovation systems. London: UCL Press, 1998. p. 2-27.

COOKE, P. Regional innovation systems, clusters, and the knowledge economy. Industrial and Corporate Change, v. 10, n. 4, p. 945-974, 2001.

DOSI, G.; SOETE, L. Technology gaps and cost-based adjustment: some explorations on the determinants of international competitiveness. Metroeconomica, v. 35, n. 3, p. 197-222, oct. 1983.

EDQUIST, C. System of Innovation – Technologies, Intitutions and Organizations. London: Pinter, 1997.

EDQUIST, C. Final remarks: Reflections on the systems of innovation approach. Science and Public Policy, v. 36, n. 6, p. 485-489, Dec. 2004.

EDQUIST, C. Systems of Innovation: Perspectives and Challenges. In: FAGERBERG, J.; MOWERY, D.; NELSON, R. (Ed.). The Oxford Handbook of Innovation. Oxford: Oxford, University Press, 2005. p. 181-208.

FREEMAN, C. Technology policy and economic performance: lessons from Japan. London: Pinter Publishers, 1987.

FREEMAN, C. The national system of innovation in historical perspective. Cambridge Journal of Economics, London, v. 19, n. 1, p. 5-24, 1995.

GRAY, David. Pesquisa no mundo real. Porto Alegre: Penso, 2012.

IBGE. Pesquisa de Inovação Tecnológica (PINTEC 2008). Rio de janeiro: IBGE, 2010.

LASTRES, Helena M. M.; CASSIOLATO, José Eduardo. Glossário de Arranjos e Sistemas Produtivos e Inovativos Locais. Rio de Janeiro: SEBRAE, 2005.

LUDWIG, Antonio. Fundamentos e prática de metodologia científica. Petrópolis: Vozes, 2009.

LUNDVALL, B. A. National Systems of Innovation: Towards a Theory of Innovation and Interactive Learning. London: Pinter Publishers, 1992.

MALERBA, F. Sectoral systems of innovation and production. Research Policy, Sussex, v. 31, p. 247-264, 2002.

MALERBA, F. Sectoral systems: how and why innovation differs across sectors. In: FAGERBERG, J.; MOWERY, D.; NELSON, R. (Ed.). The Oxford Handbook of Innovation. Oxford: Oxford, University Press, 2005. p. 380-440.

MARION FILHO, P. J.; SONAGLIO, C. M. A Inovação Tecnológica em Arranjos Produtivos Locais: A Importância da Localização e das Interações entre Empresas e Instituições. Revista Econômica do Nordeste, Fortaleza, v. 38, n. 2, p. 306-318, abr./jun. 2007.

MAZZUCATO, M. O estado empreendedor: desmascarando o mito de setor público vs. Setor privado. São Paulo: Portfolio-Penguin, 2014.

MELO, T. M.; FUCIDJI, J.R.; POSSAS, M. L. Política industrial como política de inovação: notas sobre hiato tecnológico, políticas, recursos e atividades inovativas no Brasil. Rev. Bras. Inov. Campinas, Campinas, v. 14, número especial, p. 11-36, jul. 2015.

NELSON, R. An evolutionary theory of economic change Cambridge: The Belknap Press of Harvard University Press, 1987.

NELSON, R. National Innovation Systems: a Comparative Analysis. Nova

York: Oxford University, 1993.

PACHECO, C. A. As Reformas da Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil (1999-2002). Campinas: Cepal, 2003.

PLÖGER, I. Workshop preparatório à missão na Alemanha. Brasília: CNI, 2014. 64 slides. Color. Slides gerados a partir do software PowerPoint.

RODRIGUEZ, A.; DAHLMAN, C.; SALMI, J. Conhecimento e inovação para a competitividade. Brasília: CNI, 2008.

SEIDEL, U., MÜLLER, L., KÖCKER, G.M.Z., FILHO, G.D.A. A New Approach for Analysing National Innovation Systems in Emerging and Developing Countries. Industry & Higher Education, v. 27, n. 4, p. 279–285, Aug. 2013.

THE WORLD Factbook 2013-14.Washington, DC: Central Intelligence Agency, 2013. Disponível em . Acesso em: 20 maio 2015.

VILLASCHI, A. Anos 90: uma década perdida para o sistema de inovação brasileiro? São Paulo em Perspectiva, v. 19, n. 2, p. 3-20, abr./jun. 2015.

ZOUAIN, D. et al. Urban Technology Parks Model as instrument of Public Policies for regional/local development: Technology Park of São Paulo. In: ASP – World Conference on Science and Technology Parks, 22., 2006. Proceedings... Helsinki: IASP ENVIROPARKS, 2006.




DOI: https://doi.org/10.22279/navus.2016.v6n4.p06-25.389

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




NAVUS - Revista de Gestão e Tecnologia, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. ISSN - 2237-4558 

Membro da Associação Brasileira de Editores Científicos 

 

Desde 18/10/2017

 

Licença Creative Commons

Os originais publicados na Navus estão disponibilizados de acordo com a Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil.