MIME-Version: 1.0 Content-Type: multipart/related; boundary="----=_NextPart_01DCC04D.F8959680" Este documento é uma Página da Web de Arquivo Único, também conhecido como Arquivo Web. Se você estiver lendo essa mensagem, o seu navegador ou editor não oferece suporte ao Arquivo Web. Baixe um navegador que ofereça suporte ao Arquivo Web. ------=_NextPart_01DCC04D.F8959680 Content-Location: file:///C:/2669CB55/2195.htm Content-Transfer-Encoding: quoted-printable Content-Type: text/html; charset="windows-1252"
The Use of PIX by Private Companies in Br=
azil:
Impacts, Challenges, and Perspectives
|
Tiago de A= lmeida Santos Tergilene https://orcid.org/0009-0=
000-8286-503X |
Mestrando em Economia Regional e Políticas Públicas.
Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) –
Brasil. tastergilene.perpp@uesc.=
br. |
|
Marcelo dos Santos da Silva https://orcid=
.org/0009-0003-1921-4148 |
Doutor em Economia. Universidade Estadual de Santa Cruz (UES=
C) – Brasil. =
masilva@uesc.br. |
|
Gus=
tavo
Joaquim Lisboa https://orcid=
.org/0000-0001-6497-630X |
Doutor em Políticas Públicas Estratégias e Desenvolvimento. Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) – Brasil. gustavo_lisboa@uesc.br.<= o:p> |
|
Pri=
scila
de Queiroz Leal https://orcid=
.org/0000-0002-7113-2567 |
Doutora em Economia. Universidade Federal de Juiz de Fora (U=
FJF)
– Brasil. =
pridequeiroz@gmail.com. |
RESUMO
A implementação
do PIX, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central do Brasil,
transformou a dinâmica das transações financeiras no setor empresarial. Este
estudo analisa, com base em dados secundários, a incorporação do PIX por
empresas privadas brasileiras em suas operações entre 2020 e 2023, com ênfa=
se
na potencial redução de custos operacionais, na gestão do fluxo de caixa e =
na
eficiência nas rotinas financeiras. Metodologicamente, trata-se de uma pesq=
uisa
qualitativa, de caráter descritivo, baseada em revisão de literatura e anál=
ise
documental de relatórios e estatísticas oficiais sobre meios de pagamento. =
Os
resultados indicam que o PIX favoreceu a redução do tempo de liquidação
financeira, ampliou a competitividade no varejo e estimulou a digitalização=
de
pequenos negócios, especialmente de micro e pequenas empresas. Como desafio=
s,
destacam-se demandas por atualização tecnológica, necessidade de adaptação a
normas de segurança e ajustes nos processos internos de conciliação e contr=
ole
fiscal. Conclui-se que o PIX se consolidou como infraestrutura estratégica =
para
o ambiente de negócios no Brasil, com tendência de expansão via novas
funcionalidades, como PIX Automático e integrações ao Open Finance.
Palavras-chave: PIX; sistema de pagamentos; transações financeiras.
ABSTRACT
The implementation of PIX, the Brazilian Central
Bank's instant payment system, has transformed the dynamics of financial
transactions in the business sector. This study analyzes, based on secondary
data, the adoption of PIX by Brazilian private companies in their operations
between 2020 and 2023, with emphasis on its potential to reduce operational
costs, improve cash flow management, and enhance efficiency in financial
routines. Methodologically, this is a qualitative, descriptive study based =
on a
literature review and documentary analysis of reports and official statisti=
cs
on payment methods. The results indicate that PIX has reduced financial
settlement times, increased competitiveness in the retail sector, and foste=
red
the digitalization of small businesses, particularly micro and small
enterprises. Key challenges include the need for technological upgrades,
adaptation to security standards, and adjustments in internal reconciliation
and tax control processes. It is concluded that PIX has become a strategic
infrastructure for the business environment in Brazil, with a tendency to
expand through new functionalities, such as PIX Automá=
tico
and integrations with Open Finance.
Keywords: PIX; payment system; financial transactions.
Recebido
em 05/09/2025. Aprovado em 13/01/2026. Avaliado pelo sistema double blind
https://doi.org/10.22279/navus.v18.2195
Fonte:
BCB (2024b).
Em 2023, o PIX registrou aproximadament=
e 42
bilhões de transações, representando um aumento de 75% em relação ao ano
anterior (FEBRABAN, 2024). Esse crescimento indica elevada adesão ao sistem=
a e
sua consolidação como instrumento recorrente nas transações financeiras
cotidianas.
A Figura 2 apresenta a comparação entre=
o
volume de transações do PIX com outros meios de pagamento nos anos de 2022 e
2023. Observa-se sua predominância em relação ao cartão de crédito e débito=
, ao
boleto bancário, à TED, ao DOC, aos cheques e à Transferência Eletrônica de=
Crédito
(TEC), que, em conjunto, somaram 39,4 bilhões de transações (FEBRABAN, 2024=
).
Figura
2 - Meios de pagamentos em volume transacionado (milhões de transações)
Fonte: FEBRABAN (202=
4).
A Figura 3 apresenta os valores
transacionados entre 2022 e 2023, demonstrando o crescimento de aproximadam=
ente
58% nas transferências via PIX, que passaram de R$ 10,89 trilhões para R$ 1=
7,18
trilhões. Apesar desse avanço, o montante total transacionado pelo PIX aind=
a é
inferior ao da TED, que movimentou R$ 40,6 trilhões. Os dados indicam que o=
PIX
é utilizado predominantemente para pagamentos de menor valor, enquanto a TE=
D permanece
como instrumento preferencial para transações de maior valor, com valor méd=
io
por transação de R$ 46.000,00. No caso do PIX, o valor médio por transação =
é de
R$ 420,00 (FEBRABAN, 2024).
Figura
3 - Valores transacionados nos meios de pagamento (trilhões de reais corren=
tes)
Fonte:
FEBRABAN (2024).
O crescimento do PIX está associado a m=
udanças
no setor financeiro, incluindo maior eficiência operacional, redução de cus=
tos
e avanços na inclusão financeira. Além disso, sua ampla adoção impulsiona a
concorrência entre bancos e fintechs, incentivando aprimoramentos
constantes na oferta de serviços financeiros. Para garantir segurança, o Ba=
nco
Central do Brasil implementou medidas como limites de transação, prazos para
efetivação de aumentos de limite e bloqueios temporários para análise de ri=
sco
(Sant’Ana; Borges, 2021).
A ampla adoção do PIX reforça sua impor=
tância
no SPB, reduzindo o uso de métodos tradicionais como a TED e o DOC, este úl=
timo,
descontinuado em fevereiro de 2024 (FEBRABAN, 2024). O Banco Central do Bra=
sil tem
implementado atualizações no sistema com o objetivo de atender novas demand=
as e
ampliar sua abrangência. Contudo, desafios como à inclusão digital e à
segurança das transações ainda exigem atenção, especialmente para evitar
exclusão de usuários que dependem da moeda em espécie.
A adoção do PIX tem influenciado o
comportamento de investidores e empresas, repercutindo em decisões estratég=
icas
no setor financeiro. A atividade bancária é essencialmente influenciada por
exigências regulatórias e competição acirrada, tornando a busca por inovaçõ=
es
um processo contínuo (Cunha, 2020; Chaves, 2021; Torres, 2024). Apesar dos =
desafios,
o PIX se estabeleceu como um dos principais métodos de pagamento no Brasil,=
reconfigurando
dinâmicas no mercado financeiro e contribuindo para maior eficiência nas
transações monetárias.
=
4 O P=
IX E
AS EMPRESAS PRIVADAS
A utilização= do PIX tem sido associada a benefícios operacionais, entre os quais se destacam a redu= ção de custos, a melhoria no fluxo de caixa e maior segurança nas transações. A eliminação de taxas associadas a métodos tradicionais, como a TED e o DOC, = contribuiu para a redução de custos operacionais, especialmente no manuseio de moeda em espécie. Além disso, a rapidez das transações permitiu um gerenciamento mais eficiente do fluxo de caixa, com recebimentos imediatos e maior controle financeiro. No que se refere à segurança, o PIX, por meio de medidas avança= das de proteção, tem contribuído para a redução de fraudes e perdas financeiras, garantindo um ambiente de transações mais seguro.
Desenvolvido= pelo Banco Central do Brasil, o PIX contribuiu para a modernização do sistema de pagamentos ao oferecer uma alternativa rápida, segura e disponível 24 horas= por dia, todos os dias da semana. Para as empresas, a principal vantagem é a agilidade nas transações financeiras, permitindo que pagamentos sejam concluídos em segundos, sem a necessidade de respeitar horários bancários (FEBRABAN, 2023). Além disso, a redução de intermediários no processo de pagamento contribui para a otimização financeira, beneficiando especialmente pequenas e médias empresas (BCB, 2020a).
Outro benefí= cio do PIX é a flexibilidade nas modalidades de pagamento. O PIX cobrança permite a emissão de cobranças com vencimento, funcionando de forma semelhante ao bol= eto bancário, porém com liquidação instantânea, podendo contribuir para a reduç= ão da inadimplência e facilitando a automação financeira. O PIX em lote atende empresas que precisam realizar múltiplas transações simultaneamente, simplificando a gestão de pagamentos. O QR code= do PIX mostrou-se uma ferramenta essencial para o varejo, permitindo um checkou= t mais ágil e seguro. Já o PIX dinâmico possibilita a inclusão de informações detalhadas em cada transação, como juros e descontos, sendo especialmente ú= til para e-commerc= es e serviços de assinatura (BCB, 20= 20a).
A introdução= do PIX impulsionou as empresas a alinharem-se às tendências digitais e às novas demandas dos consumidores (Pinheiro, 2020). Além disso, o PIX pode contribu= ir para a sustentabilidade operacional do sistema financeiro, ao reduzir a necessid= ade de moeda em espécie, promovendo a digitalização e a eficiência nas operaçõe= s financeiras (BCB, 2020b). Empresas de pagamento e instituições bancárias também inovaram com a integração do PIX aos seus aplicativos digitais.
A campanha #= PIXParaNegócios, lançada pelo Banco Central do Brasil em novembro de 2021, contribuiu para ampliar a adoção do sistema no setor empresarial. Essa iniciativa visou estimular o uso do PIX no varejo por meio de conteúdos informativos e depoimentos de empreendedores, demonstrando a versatilidade do sistema para empresas de todos os portes e segmentos (BCB, 2023c). Durante a pandemia de COVID-19, empresas que adotaram o PIX registraram uma redução média de 33% = no faturamento, enquanto aquelas que não aderiram apresentaram uma queda média= de 44%, evidenciando maior resiliência econômica entre as primeiras (FGV, 2022= ).
O estudo de = Schapiro, Mouallem e Dantas (2023) examina o papel do= Banco Central do Brasil na criação e operação do PIX, o que esteve associado à sua aceitação pelo mercado e pelos consumidores. Além disso, Medeiros (2023) analisa o potencial do PIX para ampliar a eficiência das operações transfronteiriças. Dados da Fundação Getulio Va= rgas indicam que 86% das empresas brasileiras utilizam o PIX (FGV, 2023). Até dezembro de 2022, aproximadamente 11,9 milhões de pessoas jurídicas haviam realizado ou recebido ao menos uma transação via instrumento, correspondend= o a 67% das pessoas jurídicas com contas bancárias no país (BCB, 2023c).=
Figura 4 - Recebedores, pagadores e usuá= rios pessoa jurídica do PIX, em milhões, 2020-2022
Fonte: BCB (2023c).
Os dados da = Figura 4 demonstram um crescimento significativo da adesão ao PIX entre empresas. Em novembro de 2020, aproximadamente 1,1 milhão de pessoas jurídicas utilizava= m o sistema. Esse número aumentou de forma contínua, atingindo 11,7 milhões em novembro de 2022, o que representa crescimento aproximado de 964% no períod= o de dois anos, refletindo sua popularização e aceitação no mercado. O setor de comércio varejista apresentou o maior número de adesões, seguido pelos seto= res de serviços administrativos, alimentação e atividades auxiliares financeira= s (BCB, 2023c).
Os participa= ntes do PIX são diversos, abrangendo instituições financeiras e de pagamento. Desde seu lançamento, o sistema se caracteriza por ser aberto, permitindo a participa= ção de diferentes tipos de instituições. Em 2022, o PIX contava com cerca de 795 instituições participantes, das quais apenas 20% atuavam diretamente com conexão ao SPI, enquanto 80% operavam indiretamente, utilizando intermediár= ios para acessar o sistema (Figura 5) (Silva et al., 2024).
Figura 5 - instituições financeiras e instituições de pagamentos ativas no PIX, 2020-2022
Fonte: BCB (2023c).
A participaç= ão no PIX tornou-se estratégica no contexto competitivo para instituições financeiras= e de pagamento não apenas por sua popularidade, mas também por exigências regulatórias. Embora a adesão ao PIX seja obrigatória para determinadas ins= tituições financeiras, muitas optam por participar voluntariamente para atender às demandas do mercado. A inclusão de cooperativas de crédito no sistema tem s= ido relevante, representando 76,7% do total de instituições participantes analisadas (Figura 6), dada sua flexibilidade e proximidade com comunidades locais e pequenos negócios. Assim, a adesão das cooperativas ao PIX permite oferecer serviços financeiros a custo reduzido, contribuindo para a inclusão financeira.
Figura 6 - Participação das instituições financeiras por segmento, 2022
Fonte: BCB (2023c).
Nota: (a) Associação de
Poupança e Empréstimo (APE); (b) Sociedade de Crédito, Financiamento e
Investimento (SCFI); (c) Sociedade de Crédito ao Microempreendedor e à Empr=
esa
de Pequeno Porte (SCMEPP); (d) Sociedade de Crédito Direto (SCD); (e) Caixa
Econômica Federal (CEF); (f) Instituições de Pagamento (IP).
A diversific= ação dos participantes do PIX pode ser associada à ampliação do acesso aos meios de pagamento eletrônicos no Brasil. Acredita-se que a predominância das cooperativas de crédito no sistema se deve à sua capacidade de adaptação e à proximidade com os clientes, além de um maior número de cooperativas frente= a outras instituições de intermediação de recursos financeiros. Segundo Ferna= ndes (2022), o PIX possibilitou que essas instituições menores competissem com grandes bancos, consolidando-se como um instrumento essencial na infraestru= tura financeira do país.
Para empresa= s que desejam integrar o PIX, fatores como capacidade técnica, infraestrutura e suporte constituem requisitos importantes para assegurar a implementação eficiente e o gerenciamento adequado das transações. Além disso, a conformi= dade regulatória e a segurança dos dados constituem prioridades, na medida em que exigem a adoção das melhores práticas para proteger seus clientes. O PIX ta= mbém permite que empresas realizem pagamentos a colaboradores e fornecedores de forma ágil e eficiente, reduzindo a dependência de métodos tradicionais com liquidação não instantânea, como a TED (BCB, 2023c).
=
4.1 O
PIX inserido no mercado de pagamentos de varejo.
=
A crescente adoção do PIX no varejo refle=
te sua
ascensão como um dos meios de pagamento mais eficientes e acessíveis no Bra=
sil.
Sua ampla aceitação e instantaneidade beneficiam tanto comerciantes quanto
consumidores, contribuindo para sua rápida disseminação no sistema de
pagamentos. Em 2023, os instrumentos tradicionais de pagamento somaram
aproximadamente 39,4 bilhões de transações, enquanto o PIX liderou em volum=
e de
operações. No entanto, em termos de valores transacionados, o PIX ocupou a
segunda posição, movimentando cerca de R$ 17,2 trilhões, atrás apenas da TE=
D,
que alcançou aproximadamente R$ 40,6 trilhões. Esse resultado está associad=
o ao
fato de que o PIX é amplamente utilizado em pagamentos de menor valor médio
(BACEN, 2023c). No último trimestre de 2021, o sistema registrou cerca de 3=
,9
bilhões de operações, conforme demonstrado na Figura 7.
=
Figura 7
- Percentual de transações por participação de instrumento no varejo, 2020-=
2022
=
=
Fonte:
BACEN (2023c).
=
A Figura 7 evidencia que o PIX se consoli=
dou
como um dos instrumentos de pagamento de maior crescimento no Brasil. Desde=
seu
lançamento, no final de 2020, sua participação passou de aproximadamente 1%
para 33% no quarto trimestre de 2022. Em contrapartida, as transferências
interbancárias (TED e DOC) reduziram sua participação de 26% para 18%,
evidenciando perda de participação concomitante ao avanço do PIX. Os cartõe=
s de
débito e crédito mantiveram participação relativamente estável ao longo do
período, enquanto cobranças como boletos e débitos diretos apresentaram red=
ução
de 32% para 17%. Observa-se também diminuição gradual da participação de sa=
ques
e cheques, sugerindo um movimento de substituição entre instrumentos de
pagamento no varejo brasileiro.
4.2 O
PIX inserido no mercado de pagamentos de empresas privadas.
A evolução do PIX no ambiente empresarial=
tem
consolidado seu papel como um dos principais meios de pagamento no Brasil.
Desde seu lançamento, em novembro de 2020, o sistema foi desenvolvido para
suprir lacunas nos métodos tradicionais, facilitando transações para empres=
as
privadas de diferentes segmentos. Com o avanço de novas funcionalidades, o =
PIX
não apenas simplifica operações financeiras, mas também impulsiona a inovaç=
ão
no setor privado (BCB, 2023c).
O PIX impactou profundamente o mercado de
pagamentos, tornando-se essencial para empresas que atuam tanto no comércio
digital quanto no físico. Para as empresas privadas, especialmente no e-commerce e serviços financeiros,=
consolidou-se
como meio de pagamento amplamente aceito (EXAME, 2022). Além disso, o PIX n=
ão
beneficia apenas grandes corporações: pequenos negócios e microempreendedor=
es
também são favorecidos pela redução de custos operacionais, em comparação a
meios tradicionais como cartões de crédito e débito, que possuem taxas
adicionais (BCB, 2023c).
Além do setor varejista, empresas de serv=
iços
financeiros e tecnologia, como fint=
echs
e plataformas de banking as a <=
span
class=3DSpellE>service, =
integram
o PIX em suas soluções, proporcionando maior flexibilidade e inovação ao
mercado (FORBES Brasil, 2023). Entre as inovações mais esperadas, destacam-=
se o
PIX automático[1]=
, que
permitirá pagamentos recorrentes de forma semelhante ao débito automático,
facilitando assinaturas e transações frequentes. O PIX parcelado (ou PIX
garantido) permitirá parcelamentos, assegurando recebimentos para empresas e
proporcionando maior flexibilidade aos consumidores (BCB, 2023c).
Outro avanço importante será o PIX offline, que permitirá transações =
sem
necessidade de conexão à internet. Essa funcionalidade será especialmente ú=
til
para empresas que operam em regiões com baixa conectividade, como setores de
transporte e comércio em áreas remotas. A ampliação da aceitação do PIX tam=
bém
se dará por meio do PIX internacional, que facilitará transferências
instantâneas entre países, tornando-se uma alternativa viável e econômica p=
ara
pagamentos internacionais (BCB, 2023c).
O PIX por aproximação[2]=
é outra
inovação que promete transformar o varejo e serviços de alta rotatividade, =
como
pedágios, estacionamentos e transporte público. Utilizando tecnologias como=
NFC
e RFID, essa funcionalidade permitirá pagamentos sem contato, agilizando
transações e ampliando a conveniência para consumidores e empresas (BCB,
2023c).
O PIX consolidou-se como um dos principais
instrumentos do SPB, promovendo inclusão financeira e eficiência operacional
para empresas de todos os portes. Com as inovações previstas, sua participa=
ção
no mercado tende a crescer ainda mais, tornando-se um componente essencial =
na
digitalização do setor financeiro e na modernização das transações comercia=
is
no Brasil.
5 CONSIDERAÇÕES= FINAIS
O presente estudo analisou a incorporação do PIX por empresas privadas no Brasil e seus impactos sobre o ambiente de negócios en= tre 2020 e 2023. A partir da análise de dados secundários e da literatura especializada, observou-se que o sistema de pagamentos instantâneos introdu= zido pelo Banco Central do Brasil (BCB) promoveu mudanças relevantes na dinâmica= das transações financeiras no país.
Os resultados indicam que o PIX se consolidou como um= dos principais instrumentos do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), apresent= ando rápida expansão em número de usuários e volume de operações. Sua disponibilidade contínua, liquidação em tempo real e facilidade de integraç= ão com plataformas digitais contribuíram para ampliar sua utilização por empre= sas de diferentes portes e setores econômicos. No ambiente empresarial, destaca= m-se benefícios associados à maior agilidade nas transações, à melhoria na gestã= o do fluxo de caixa e à simplificação de processos de pagamento e recebimento.= p>
A adoção do PIX também se relaciona ao avanço da digitalização no sistema financeiro e ao surgimento de novos modelos de negócios baseados em soluções tecnológicas, como fintechs e plataformas de banking as a service= i>. Nesse contexto, empresas passaram a incorporar o PIX como alternativa complementar aos meios de pagamento tradicionais, especialmente em operaçõe= s de menor valor e em transações que demandam liquidação imediata.
Embora o sistema apresente vantagens operacionais relevantes, os resultados indicam que sua implementação também demanda adaptações organizacionais. A liquidação instantânea das transações requer ajustes nos processos de conciliação financeira, na integração com sistemas contábeis e na gestão de informações fiscais, especialmente para empresas q= ue ainda operam com baixo nível de automação em suas rotinas administrativas.<= /p>
Do ponto de vista institucional, cabe destacar que a participação no PIX ocorre dentro de um arcabouço regulatório definido pelo Banco Central do Brasil, que estabelece regras para instituições participan= tes e diretrizes de funcionamento do sistema. No entanto, a adoção do PIX por empresas privadas ocorre predominantemente de forma voluntária, sendo influenciada por fatores como conveniência operacional, custos associados a= os meios de pagamento e demandas do mercado.
Outro aspecto relevante refere-se ao potencial do PIX= para ampliar o acesso aos serviços financeiros, especialmente entre pequenos negócios e microempreendedores. Ao facilitar transações digitais e reduzir barreiras operacionais, o sistema pode contribuir para maior inclusão financeira e para a modernização das rotinas financeiras empresariais.
Por fim, observa-se que o PIX tende a continuar evolu= indo por meio da incorporação de novas funcionalidades, como o PIX Automático e outras integrações com iniciativas de open finance. Essas inovações indicam que o sist= ema deverá manter papel relevante na transformação do mercado de pagamentos no Brasil, estimulando a inovação, a concorrência entre instituições financeir= as e a ampliação de soluções digitais no ambiente empresarial.
Como limitações do estudo, destaca-se o uso exclusivo= de dados secundários e a ausência de investigação empírica direta com empresas usuárias do sistema. Dessa forma, recomenda-se que pesquisas futuras explor= em abordagens quantitativas ou estudos de caso que permitam analisar com maior profundidade os efeitos do PIX sobre a gestão financeira e a estratégia competitiva das organizações.
REFERÊN=
CIAS
AMORIM, P. PIX lidera ranking de transações após 3 mese= s de sua criação no mercado. FDR, São Paulo, 16 de fevereiro de 2021. Disponível em: <https://fdr.com.br/2021/02/16/PIX-lidera-ranking-de-tran= sacoes-apos-3-meses-de-sua-criacao-no-mercado>. Acesso em: 30 de nov. 2023.
BANCO CENTRAL DO BRASIL (BACEN). Manual de padrões p= ara iniciação do PIX, 2020a. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/content/= estabilidadefinanceira/PIXIIManualdePadroesparaIniciacaodoPIX.pdf. Acesso em: 12 nov. 2023.
BANCO CENTRAL DO BRASIL (BACEN). Estabilidade financ= eira, 2020b. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/PIX. Ac= esso em: 2 nov. 2023.
BANCO CENTRAL DO BRASIL (BACEN). Estatísticas do PIX= , 2023a. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/estatis= ticasPIX. Acesso em: 12 nov. 2023.
BANCO CENTRAL DO BRASIL (BACEN). Relatório integrado= do Banco Central, 2023b. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/content/pub= licacoes/rig/rig_2023.pdf. Acesso em: 10 nov. 2023.
BANCO CENTRAL DO BRASIL (BACEN). Relatório de gestão= do PIX, 2023c. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/content/estabilidadefinanceira= /PIX/relatorio_de_gestao_PIX/relatorio_gestao_PIX_2023.pdf. Acesso em: 9 ago. 2024.
BANCO CENTRAL DO BRASIL (BACEN). Sistema Financeiro Nacional (SFN), 2024a. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/est= abilidadefinanceira/sfn. Acesso em: 12 jul. 2024.
BANCO CENTRAL DO BRASIL (BACEN). Sistema de Pagament= os Brasileiro (SPB). 2024b. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/spb. Acesso em: 2 jul. 2024.<= /p>
CAVALCANTE, F. Mercado de capitais. Rio de Janei= ro: Campus, 2002.
CHAVES, I. Blockchain e criptomoedas. Curitiba: = Intersaberes, 2021.
Como o PIX está moldando o futuro do varejo. FORBES Brasil, São Paulo, 2023.
CÓRDOVA, R.; DINIZ, E. H.; GONZALEZ, L. Inclusão financeira e correspondentes bancários. GVExecutiv= o, v. 13, n. 1, 58-59, 2014. Disponível em: https://repositorio.fgv.br/server/= api/core/bitstreams/5150a18c-a7d7-41a3-8ce8-37e847b7838e/content. Acesso em: 29 jul. 2025.
CUNHA, M. G. Respostas estratégicas de bancos tradicionais aos diferentes modelos de negócios emergentes no segmento de investimentos: análise sob a ótica das capacidades dinâmicas. 2020. 139= f. Dissertação (Mestrado Profissional em Gestão Organizacional) - Faculdade de Gestão e Negócios, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2020. Disponível em: https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/30106/4/Respo= stasEstrategicasBancos.pdf. Acesso em: 8 ago. 2025.
FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE BANCOS (FEBRABAN). Pesquisa FEBRABAN de tecnologia bancária 2023 - v. 2, 2023. Disponível em: https= ://cmsarquivos.febraban.org.br/Arquivos/documentos/PDF/Pesquisa%20Febraban%= 20de%20Tecnologia%20Banc%C3%A1ria%202023%20-%20Volume%202.pdf. Acesso em: 10 set. 2023.
FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE BANCOS (FEBRABAN). Pesquisa FEBRABAN de tecnologia bancária - v.2, 2024. Disponível em: https://cms= arquivos.febraban.org.br/Arquivos/documentos/PDF/Pesquisa%20Febraban%20de%2= 0Tecnologia%20Banc%C3%A1ria%20-%20Vol_02%20-%20Imprensa.pdf. Acesso em: 29 jul. 2025.
FERNANDES, A. C. Moeda digital do Banco Central: perspectivas e desafios. 2022. 37f. (Trabalho de Conclusão de Curso) - Faculdade de Tecnologia de São Paulo, São Paulo, 2022. Disponível em: https= ://ric.cps.sp.gov.br/bitstream/123456789/12207/1/ads_2022_2_alessandracouti= nhofernandes_moedadigitaldobancocentral.pdf. Acesso em: 29 jul. 2025.
FORBES BRASIL. Pix permitirá débito automático e BC vê evolução para pagamento offline. Forbes Money, 4 set. 2023. Disponível em: https://forbes.com.br/forbes-money/2023/09/pix-permitira-debito-automatico-= e-bc-ve-evolucao-para-pagamento-offline/. Acesso em: 29 jul. 2025.
FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS (FGV). O impacto do PIX no comportamento de empresas durante a pandemia. Rio de Janeiro: FGV, 2022= .
FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS (FGV). Uso do PIX por empres=
as
privadas no Brasil: tendências e estatísticas. Rio de Janeiro: FGV, 2023.
FR=
IEDMAN,
M. The role of monetary policy. American Economic Review, v. 58, n. =
1,
p. 1-17, 1968.
GOMES, A. A. G. Equilibrando rentabilidade e
crescimento: estratégias de crescimento e de respostas à disrupção na
fintech PagSeguro. 2022. 50f. Dissertação (Mestrado Profissional em Gestão =
para
a Competitividade) - Escola de Administração de Empresas de São Paulo, Fund=
ação
Getúlio Vargas, São Paulo, 2022. Disponível em: https://repositorio.fgv.br/=
server/api/core/bitstreams/a21aca68-8d69-437c-be12-c2b982123327/content.
A=
cesso em: 29 jul. 2025.
HA= YEK, F. A. Law, legislation and liberty. London: Routledge, 1976.
HOUAISS, A. Dicionário Houaiss da língua portuguesa<= /b>. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.
KEYNES, J. M. A teoria geral do emprego, do juro e da moeda. São Paulo: Editora GHI, 1936.
LEITE, L. M. A evolução dos meios de pagamentos digi= tais no Brasil durante a pandemia do Covid-19: uma análise sobre o PIX. 2021. 74f. Monografia (Graduação em Engenharia de Produção) - Escola de Engenhari= a de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos, 2021. Disponível em: htt= ps://bdta.abcd.usp.br/directbitstream/83abeee6-3c43-44e7-97ea-b0fb40c653bf/= Leite_Leandro_Meira_tcc.p. Acesso em: 29 jul. 2025.
MARTINS,= Leila de Souza et al. O impacto dos bancos digitais no sistema bancário brasileiro. In: CONGRESSO USP DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA EM CONTABILIDADE, 19., 2022, São Paulo. Anais [...]. São Paulo: USP, 2022.
MATOSSO, J.; ROSSI, P. O crédito ainda pode favorece= r o crescimento? CartaCapital, São Paulo, 9 de março de 2017. Disponível em= : https://www.cartacapital.com.br/blogs/brasil-debate/o-o-credito-ainda-pod= e-favorecer-o-crescimento/. Acesso em: 22 jul. 2025.
MEDEIROS, M. H. A inovação é dotada de atributos que=
lhe
garantam status de princípio? estudo de caso da Justiça Federal da 5ª
Região. 2023. 67f. Monografia (Graduação em Direito) - Universidade Federal=
do
Rio Grande do Norte, Natal, 2023. Disponível em:
<https://repositorio.ufrn.br/server/api/core/bitstreams/ede9259d-1c26-4a=
8e-b3da-1a4375ecd5e0/content>.
A=
cesso em: 29 jul. 2025.
MI=
SES, L.
V. Human action: A treatise on economics. New Haven: Yale University
Press, 1949.
ORGANIZAÇÃO PARA COOPERAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO (OCDE). Improving f= inancial literacy: a= nalysis of issues and policies, 2005. Paris: OECD Publi= shing, 2005. Disponível em: https://www.oecd.org/content/dam/oecd/en/publications/= reports/2005/11/improving-financial-literacy_g1gh5cd2/9789264012578-en.pdf. Acesso em: 29 jul. 2025.
OLIVEIRA, R. BC anuncia o vazamento de dados de 160 = mil chaves PIX. 2022. Disponível em: https://diariodocomercio.com.br/legisl= acao/bc-anuncia-o-vazamentode-dados-de-60-mil-chaves-PIX/.Acesso em: 13 de set. 2024.
PINHEIRO, W. SumUp realiza levantamento com micro negócios e conclui que setor de transportes é o mais afetado. SEGS, Santos, 20 de maio de 2020. Disponível em: https://ww= w.segs.com.br/seguros/231911-sumup-realiza-levantamento-com-micro-negocios-= e-conclui-que-setor-de-transportes-e-o-mais-afetado-pela-pandemia. Acesso em 12 de out.de 2024.
PIX é obrigatório? Como pequenas empresas devem se adap= tar. EXAME, São Paulo, 2022.
SANT’ANA, J.; BORGES, B. BC estabelece limite de R$ 1 m= il para transferências noturnas pelo PIX a fim de evitar fraudes. G1 Econom= ia, Brasília, 27 de agosto de 2021. Disponível em: https://g1.globo.com/economi= a/PIX/noticia/2021/08/27/banco-central-estabelece-medidas-para-tornar-PIX-m= ais-seguro.ghtml. Acesso em: 31 jul. 2025.
SC= HAPIRO, M. G.; MOUALLEM, P. S. B.; DANTAS, E. G. PIX: explaining a state-owned fint= ech. Brazilian Journal of Political Economy, v. 43, n. 4, p. 874-892, 202= 3. Disponível em: https://ce= ntrodeeconomiapolitica.org.br/repojs/index.php/journal/article/view/2434/23= 67. Acesso em: 29 jul. 2025.
SILVA, S. W. et al. O sistema financeiro nacional brasileiro: contexto, estrutura e evolução. Revista da Universidade Vale= do Rio Verde, v. 14, n. 1, p. 1015-1029, 2016. Disponível em: http://perio= dicos.unincor.br/index.php/revistaunincor/article/view/3043. Acesso em: 29 jul. 2025.
SILVA, L. F. et al. PIX e as vendas a prazo informai= s: o impacto na contabilidade e na gestão dos microempreendedores. 2024. 18f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Ciências Contábeis) - Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2024. Disponível em: https://= repositorio.ufpb.br/jspui/bitstream/123456789/30613/1/LincolyleandssonFerna= ndesdaSilva_TCC.pdf. Acesso em: 29 jul. 2025.
TORRES, S. M. C. Análise da evolução do plano estratégico de tecnologia da informação em um banco público brasileiro:= um estudo de cinco anos. 2024. 114f. Dissertação (Mestrado Profissional em Economia) - Universidade Feder= al do Ceará, Fortaleza, 2024. Disponível em: https://repositorio.ufc.br/bitstr= eam/riufc/76455/1/2024_dis_smctorres.pdf. Acesso em: 8 ago. 2025.
VIEIRA, J. A. G.; PEREIRA, H. F. S.; PEREIRA, W. N. A.
Histórico do sistema financeiro nacional. E-Locução=
,
v. 1 n. 2, p. 146-162, 2012. Disponível em: https://periodicos.faex.edu.br/=
index.php/e-Locucao/article/view/102/83.
Acesso em: 29 jul. 2025.
O Uso do PIX por Empresas
Privadas no Brasil: Impactos, Desafios e Perspectivas
Tiago de Almeida
Santos Tergilene; Marcelo dos Santos da Silva; =
Gustavo
Joaquim Lisboa; Priscila de Queiroz Leal
|
ISSN 2237-4558
• Na=
vus •
Florianópolis • SC
• v. 18 • p. 01-
NUMPAGES \* MERGEFORMAT 15 • jan./dez. 2026 |
|
|
|
|
|
ISSN 2237-4558
|
|