MIME-Version: 1.0 Content-Type: multipart/related; boundary="----=_NextPart_01DC8BB7.A47EED50" Este documento é uma Página da Web de Arquivo Único, também conhecido como Arquivo Web. Se você estiver lendo essa mensagem, o seu navegador ou editor não oferece suporte ao Arquivo Web. Baixe um navegador que ofereça suporte ao Arquivo Web. ------=_NextPart_01DC8BB7.A47EED50 Content-Location: file:///C:/51644561/2097_resenha.htm Content-Transfer-Encoding: quoted-printable Content-Type: text/html; charset="us-ascii"
Resenha cr&i=
acute;tica
do livro: Os
ladrões de atenção da vida moderna
Joyce Rodrigues Alves[1]=
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Ana Carolina de Gouv&e=
circ;a
Dantas Motta |
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DOI:=
span> https:=
//doi.org/10.22279/navus.v18.2097
1 REFERÊNCIA
H=
ARI,
Johann. Foco roubado: Os ladrões de atenção da
vida moderna. Vestígio Editora, 2023.
2 CREDENCIAIS DO AUTOR
Johann
Hari é graduado em Ciências Sociais e Políticas pela
Universidade de Cambridge e autor de quatros livros que abordam quest&otild=
e;es
contemporâneas e propõem novas formas de compreender problemas
estruturais e comportamentais e que figuraram na lista de best-sellers do N=
ew
York Times, são eles: No Início, Era Só uma Fuga: A
Primeira e a Última Guerra Contra as Drogas (2015), Conexões
Perdidas: Descubra as Verdadeiras Causas da Depressão – e as
Inesperadas Soluções (2018), Foco Roubado: Por que Você
Não Consegue Prestar Atenção – e Como Pensar
Profundamente Novamente (2022), Pílula Mágica: Os
Benefícios Extraordinários e os Riscos Perturbadores dos Novos
Medicamentos para Perda de Peso (2024). Ele já escreveu para importa=
ntes
jornais e revistas internacionais, como The New York Times, The Los Angeles
Times e The Guardian. Hari foi premiado duas vezes como "Jornalista do
Ano" pela Anistia Internacional, em reconhecimento às suas
contribuições sobre temas de guerra e zonas de conflito.
3 RESUMO
=
Em
Foco Roubado, Johann Hari começa compartilhando sua experiência
pessoal de luta contra a distração e a perda de foco. Ele obs=
erva
que, na era digital, a capacidade de se concentrar está se tornando =
cada
vez mais rara e difícil de manter. Hari introduz a ideia de que a pe=
rda
de atenção não é apenas um problema individual,=
mas
uma crise coletiva, influenciada por poderosas forças externas que
moldam nossas vidas. Ele explora como a atenção é
essencial para quase tudo o que valorizamos: relacionamentos, trabalho
produtivo, aprendizado e até mesmo nossa capacidade de tomar
decisões. Hari argumenta que a perda de foco não apenas inter=
fere
em rotinas simples do dia a dia, mas também representa um problema
sério que afeta diretamente nossa qualidade de vida e bem-estar.
=
Nos
capítulos iniciais, Hari relata uma experiência pessoal com seu
sobrinho, que despertou seu interesse em investigar as causas das
distrações cotidianas. O primeiro capítulo estabelece a
base para o restante do livro, enfatizando a gravidade da crise de
atenção e a urgência de abordá-la. Hari deixa cl=
aro
que a perda de foco não é apenas um incômodo moderno, m=
as
um problema profundo, com sérias consequências para a sa&uacut=
e;de
mental, a produtividade e o bem-estar geral. Um dos pontos principais &eacu=
te;
a análise de como a tecnologia, especialmente as redes sociais, capt=
ura
nossa atenção e como seus algoritmos, que aprendem nossos
comportamentos e preferências, nos mantêm cada vez mais engajad=
os.
=
No
segundo capítulo, Hari apresenta um conceito importante e realiza um
experimento no qual decide viver sem redes sociais e internet por um
período determinado. Ele introduz o conceito de “estado de
fluxo” como uma alternativa poderosa à multitarefa. O estado de
fluxo é uma condição mental em que a pessoa está
completamente imersa em uma atividade, com foco profundo e engajamento tota=
l, o
que resulta em alta produtividade e satisfação. Hari argumenta
que o uso contínuo das redes sociais frequentemente impede as pessoa=
s de
alcançar esse estado de fluxo. Ele detalha como
notificações constantes e feeds infinitos são projetad=
os
para viciar os usuários, e como essas interrupções
frequentes — seja por e-mails, mensagens instantâneas ou
reuniões — dificultam a entrada nesse estado de
concentração profunda, no qual as pessoas são mais
criativas e eficientes.
=
Hari
também discute o conceito de “economia da
atenção”, onde nosso tempo e foco são
comercializados e vendidos aos anunciantes. Essa batalha pela
atenção tem consequências significativas, incluindo o
aumento da ansiedade, depressão e distração constante.
Além disso, Hari destaca o impacto da crise de atenção=
na
exaustão física e mental. Ele argumenta que, para recuperar n=
ossa
capacidade de foco, é necessário abordar as causas subjacente=
s da
exaustão, como privação de sono, estresse crônic=
o e
sobrecarga de informações. Hari defende que práticas de
autocuidado e um equilíbrio saudável entre trabalho e vida
pessoal são essenciais para restaurar nossa energia e
atenção.
=
Hari
examina como a capacidade de leitura sustentada tem diminuído na era
digital e o impacto disso na atenção e na compreensão
profunda. Ele explora as razões por trás desse declíni=
o e
sugere maneiras de resgatar o hábito da leitura prolongada. Hari
enfatiza a importância de práticas diárias de leitura
contínua para recondicionar o cérebro a se concentrar por
períodos mais longos. Além disso, ele destaca o papel da
divagação mental na concentração. A
divagação mental é o processo pelo qual a mente se des=
loca
espontaneamente de um pensamento para outro, muitas vezes sem foco ou
direção específicos. O autor sugere que, para recuperar
essa capacidade, é importante criar momentos de silêncio e
desconexão ao longo do dia, meditar e passar tempo na natureza.
O
autor dedica uma boa parte do livro para aprofundar a discussão sobr=
e os
algoritmos utilizados por plataformas digitais, destacando que eles n&atild=
e;o
apenas rastreiam, mas também manipulam o comportamento dos
usuários de maneira sutil e poderosa. Ele explora conceitos como o
“efeito de bolha de filtro”, manipulação emociona=
l,
desinformação e notícias falsas, afirmando que essas
estratégias não apenas contribuem para a polarizaç&ati=
lde;o
da sociedade, mas também impactam negativamente a saúde mental
dos usuários, além de acelerar a disseminação de
desinformação. Hari cita exemplos e diversos estudos que
corroboram essas afirmações.
=
No
capítulo 8, Hari explora a relação entre o aumento do
estresse na sociedade moderna e como ele contribui para a vigilância
constante e a fragmentação da atenção. Ele leva=
nta
a questão de que o estresse crônico ativa mecanismos de
vigilância no cérebro, prejudicando nossa capacidade de
concentração e bem-estar. Hari enfatiza que o estresse se tor=
nou
uma parte onipresente da vida moderna, afetando pessoas de todas as idades e
contextos. O estresse crônico coloca o cérebro em um estado de
vigilância constante, também conhecido como “estado de
alerta”, no qual o cérebro se mantém hiperativo e pronto
para responder a ameaças percebidas, o que prejudica a capacidade de
foco e promove distrações.
=
Hari
cita pesquisas que demonstram como o estresse crônico pode levar &agr=
ave;
fadiga mental, à redução da memória de trabalho=
e
à dificuldade de processar informações de forma eficaz,
criando um ciclo vicioso entre estresse e distrações. O autor
sugere várias estratégias para romper esse ciclo, incluindo o
estabelecimento de limites claros entre trabalho e vida pessoal, bem como a
prática de hobbies e atividades recreativas que promovam o bem-estar.
Ele enfatiza que, ao quebrar o ciclo do estresse e da vigilância
constante, podemos recuperar a atenção sustentada e melhorar
nossa produtividade.
=
Já
próximo ao final, Hari reforça o impacto negativo da
alimentação e da poluição na saúde do
cérebro e na capacidade de atenção. Ele cita pesquisas=
que
mostram a correlação entre dietas pouco saudáveis e a
redução das funções cognitivas, como memó=
;ria
e concentração. A falta de nutrientes essenciais nas dietas
modernas pode levar a deficiências que afetam o funcionamento cerebra=
l,
enquanto alimentos processados e ricos em açúcar podem causar
picos e quedas nos níveis de glicose no sangue, resultando em flutua=
ções
de energia e dificuldade em manter a atenção. Hari tamb&eacut=
e;m
explora como a exposição à poluição do a=
r,
da água e do solo tem impactos negativos na saúde mental e na=
função
cognitiva. Ele foca em estudos que mostram uma ligação entre a
poluição do ar e o aumento de problemas de saúde menta=
l,
como ansiedade e depressão, que, por sua vez, afetam a capacidade de=
foco.
=
Para
combater os efeitos da poluição, Hari sugere a
implementação de medidas para melhorar a qualidade do ar e da
água, como o uso de purificadores de ar e filtros de água,
além da promoção de políticas ambientais mais
rigorosas. O diagnóstico de Transtorno do Déficit de
Atenção com Hiperatividade (TDAH) também é
abordado, reconhecendo que esse diagnóstico se tornou mais comum ao
longo dos anos. Hari explora várias teorias que sugerem que fatores
ambientais, mudanças na educação e na estrutura social
podem estar contribuindo para esse aumento. Ele apresenta pesquisas sobre
diferentes abordagens no tratamento do TDAH, que vão desde medicamen=
tos
até terapias comportamentais e educacionais. Hari também leva=
nta
questões sobre como a sociedade deve se adaptar para melhor apoiar
aqueles que vivem com TDAH, destacando a importância da
educação inclusiva e da sensibilização para red=
uzir
o estigma associado ao transtorno.
=
Antes
de concluir o livro, o autor discute o impacto do confinamento físic=
o e
psicológico na infância. Ele ressalta como as mudanças =
no
estilo de vida moderno têm feito com que as crianças passem ma=
is
tempo em espaços fechados, como salas de aula ou em frente a telas de
dispositivos eletrônicos. Esse estilo de vida está associado a
problemas de saúde mental, deficiências nas habilidades sociai=
s e
menor conexão com o mundo natural, resultados da falta de
experiências ao ar livre e de contato direto com a natureza. Sobre a
"rebelião da atenção", o autor afirma que a
sociedade contemporânea enfrenta uma crise de atenção,
causada pela constante sobrecarga de informações e
estímulos digitais. As pessoas estão buscando estratég=
ias
para recuperar o controle sobre sua concentração, por meio de
práticas de mindfulness, desconexã=
;o
digital e a valorização de espaços e momentos de
silêncio e introspecção. Nesse último
capítulo é feita uma análise profunda sobre como a
sociedade está lidando com a sobrecarga de informações=
e
estímulos, e como indivíduos estão respondendo a essa
realidade com a adoção de estratégias para preservar e
recuperar sua atenção e foco em um mundo digitalmente saturad=
o.
4 APRECIAÇÃO CRÍTICA DO RESENHISTA=
O tema abordado por
Johann Hari é relevante para a sociedade contemporânea. Ao
compartilhar diversas situações e experiências pessoais=
de
distração e crise de atenção, ele revela a moti=
vação
por trás de seu aprofundamento no assunto. O livro é extenso e
oferece referências científicas consistentes, o que confere
credibilidade ao tema. No entanto, a linguagem poderia ser mais
acessível, o que facilitaria a compreensão por leitores com
diferentes níveis de instrução.
Uma característica positiva do livro é que, =
em
cada capítulo, Hari propõe melhorias para os problemas
levantados. Suas sugestões são baseadas em pesquisas
científicas conduzidas por médicos e pesquisadores renomados,
oferecendo ao leitor a oportunidade de aplicar esses ensinamentos no dia a =
dia.
O uso excessivo da tecnolo=
gia
precisa ser tratado com seriedade para que a crise de atenção
seja enfrentada. No entanto, as descrições prolongadas de
situações cotidianas nem sempre acrescentam valor ao
conteúdo, tornando a leitura, por vezes, cansativa e repetitiva,
Hari enfatiza a relação benéfica entre=
a
natureza e o controle da crise de atenção, O que é
confirmado por Milano (1984), a
natureza é responsável pela criação de ambientes
esteticamente agradáveis, valorizando uma área e atuando como
elemento que ameniza o estresse. O livro enfatiza que a
substituição do contato da natureza pelo uso excessivo de
smartphones e outros dispositivos eletrônicos não apenas
intensifica a crise de atenção, mas também pode contri=
buir
para o desenvolvimento de depressão e outras doenças. Segundo Louv
(2016), nas últimas décadas, o ritmo frenético =
do
processo de urbanização e o aumento exponencial do uso das
tecnologias digitais têm trazido consequências para a
constituição dos sujeitos e de suas subjetividades, promovendo
efeitos negativos para a sua saúde física e mental. O contato,
sobretudo, das crianças e dos adolescentes com a “naturezaR=
21;
(referindo-se a parques, praças, áreas verdes) vem diminuindo;
acarretando, por exemplo – aumento dos índices de
sedentarismo/obesidade, de déficit de vitamina D, e dos casos
diagnosticados de TDAH; Logo os dados mostrados pelo autor são
essenciais, pois reforça a necessidade de preservação
ambiental, valorizar os recursos naturais, e dá apoio as pessoas com=
diversos
diagnósticos a doenças mentais.
O livro poderia focar um pouco =
mais
nas consequências das crises de atenção para a
administração e no universo coorporativo; Para
administração esse estudo é relevante, pois tende a aj=
udar
aos gestores a combater a Crise de atenção dentro da
organização. Dentro da administração pode se
referir a dificuldade que alguns gestores e equipes enfrentam para manter o
foco em prioridades organizacionais essenciais.
Além das redes sociais p=
ara
a administração a crise de atenção pode ser cau=
sada
pela sobrecarga de informações, “Multitarefas”,
Interrupções, Falta de Prioridades Claras, tecnologia e
comunicação excessiva, falta de planejamento e disciplina. Es=
se
ambiente dinâmico e de múltiplas fontes de
informações, prejudica o desempenho, a produtividade e a
capacidade de decisões, Wurmann (1991, p. 37) alerta que “a gran=
de era
da informação é, na verdade, uma explosão da
não-informação - uma explosão de dados. Para en=
frentar
a crescente avalanche dos dados, é imperativo fazer a
distinção entre dados e informação”. =
O excesso de informações que
também faz que os profissionais, se sintam sobrecarregados e exausto=
s, Dertouzos (1997) destaca que hoje os seres humanos se
deparam com uma maior complexidade do que poderiam suportar, com mais conta=
tos
do que podem dar conta e com uma velocidade maior do que podem administrar.=
Outro ponto que ataca diretament=
e a
área de gestão é a insegurança na tomada de
decisão. Como existe uma grande quantidade de informaçõ=
;es
disponíveis, os indivíduos se tornam inseguros na tomada de d=
ecisão,
pois ficam com a sensação de que deveriam ter acessado ainda =
mais
informações para dar embasamento às suas escolhas. O t=
empo
que se perde nessa busca limita a capacidade de reflexão (BRAGA, 2008).
Segundo Batista
(2004, p. 20), “do ponto de vista da administraçã=
;o
de empresas em concordância com a definição de sistemas,
existem dois elementos fundamentais para a tomada de decisões: os ca=
nais
de informação e as redes de comunicação”.
Através dos canais de informação as
organizações definem de onde serão adquiridos os dados=
, e
as redes de comunicação definem para onde os dados serã=
;o
direcionados. No entanto, no contexto atual, marcado pela abundância =
de
dados e informações disponíveis, o excesso de
informação se torna um desafio adicional. Conhecido como
=
REFERÊNCIAS
BARTHES, Roland. =
O
prazer do texto. Tradução de Leyla Perrone-Moisés.
São Paulo: Perspectiva, 2007.
BATISTA, Emerson =
de
Oliveira. Sistema de informação: o uso consciente da
tecnologia para o gerenciamento. São Paulo: Saraiva, 2004.
BRAGA, Ryon. O excesso de informação: a neu=
rose
do séc. XXI. 2008. Disponível em: http://www.mettodo.com.br/pdf/O%20Excesso%20de%20Informacao.pdf=
. Acesso em: 12 n=
ov.
2010.
COVEY, S. R. O=
s sete
hábitos das pessoas altamente eficazes. Rio de Janeiro: BestSeller, 2007.
DERTOUZOS, Michae=
l. O
que será: como o novo mundo da informação
transformará nossas vidas. São Paulo: Companhia das Letra=
s,
1997.
MILANO, M. S. =
Avaliação
e análise da arborização de ruas de Curitiba-PR. <=
/span>1984.
LOUV, Richard. About Richard Louv. 2016a. Disponível
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7 jan. 2025.
ROBBINS, Stephen P.; COULTER, Mary. Administ=
ração.
5. ed. Prentice Hall Interamericana, 1996.
WURMANN, Saul Richard. Ansiedade de informação: como
transformar informação em compreensão. São Paul=
o:
Cultura Editores Associados, 1991.
[1] Administradora pela Universidade do Grande Rio (UNIGRANRIO) com pós-graduação em gestão de projetos e gest&atil= de;o de qualidade.
[2] Administradora de Empresas pela PUC-Rio em 2000. Cursou MBA em Marketing no IAG/PUC-Rio.
Resenha crítica do livro: Os ladrões de
atenção da vida moderna
Joyce Rodrigues A=
lves;
Ana Carolina de Gouvêa Dantas Motta
8