ORGANIZATIONAL CITIZENSHIP BEHAVIOR:
PRACTICES DEVELOPED BY YOUNG WORKERS
|
Lumara
Aparecida Alves Silva https://orcid.org/0009-0004-4468-6654 |
Graduanda
em Administração. Universidade Federal de Uberlândia (UFU) – Brasil. lumaraalves123@gmail.com |
|
Roger
da Silva Wegner https://orcid.org/0000-0002-2034-8034 |
Doutor
em Administração. Universidade Federal de Uberlândia (UFU) – Brasil. rswegnerr@gmail.com |
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Denilson
Aparecida Leite Freire https://orcid.org/0000-0002-6704-1339 |
Doutor
em Administração. Universidade Federal de Uberlândia (UFU) – Brasil. |
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Kelly
Aparecida Silva Jacques https://orcid.org/0000-0002-0298-7692 |
Doutora
em Ciências Contábeis. Universidade Federal de Goiás (UFG) – Brasil. kellyjacques@ufg.br |
RESUMO
O presente estudo teve como
objetivo geral analisar o grau de prioridade dos jovens trabalhadores em
relação aos Comportamentos de Cidadania Organizacional (CCO). A pesquisa contou
com a participação de 109 jovens trabalhadores, de ambos os gêneros, que
responderam a um questionário estruturado com base na escala de CCO validada no
Brasil por Bastos, Siqueira e Gomes (2014). Para a análise, utilizou-se o
método Analytic Hierarchy Process (AHP), que possibilitou a priorização dos
comportamentos analisados. Os resultados demonstraram que a “Colaboração com os
colegas” foi a ação mais priorizada pelos jovens. Assim, percebe-se que a
cooperação interpessoal é vista como fundamental para a construção de um
ambiente de trabalho colaborativo e para o fortalecimento das equipes. Em
contrapartida, as ações voltadas às “Sugestões criativas” foram menos
priorizadas, especialmente no que se refere à apresentação de novas ideias aos
superiores. Diante desses resultados, observou-se que os CCO se manifestam por
meio da valorização do apoio e da cooperação entre os jovens. Como contribuição
científica, o estudo avança ao aplicar um método multicritério na análise dos
CCO, apresentando uma abordagem metodológica que permite hierarquizar dimensões
comportamentais no ambiente laboral. Além disso, esta pesquisa contribuiu
teoricamente ao ampliar o entendimento sobre como os jovens trabalhadores priorizam
diferentes dimensões dos CCO, oferecendo subsídios para práticas de gestão
voltadas ao desenvolvimento de ambientes de trabalho mais inovadores e
colaborativos.
Palavras-chave: comportamento de cidadania organizacional; jovens trabalhadores; cooperação; modelagem multicritério.
ABSTRACT
The
present study aimed to analyze the degree of priority attributed by young
workers to Organizational Citizenship Behaviors (OCB). The research involved
109 young workers of both genders, who responded to a structured questionnaire
based on the OCB scale validated in Brazil by Bastos, Siqueira, and Gomes
(2014). For data analysis, the Analytic Hierarchy Process (AHP) method was
employed, enabling the prioritization of the behaviors analyzed. The results
demonstrated that “Collaboration with Colleagues” was the most prioritized
behavior among the participants. Thus, interpersonal cooperation was perceived
as fundamental to the development of a collaborative work environment and to
the strengthening of teams. In contrast, actions related to “Creative
Suggestions” received lower priority, especially regarding the presentation of
new ideas to supervisors. Based on these findings, it was observed that OCB
manifests itself through the appreciation of support and cooperation among
young workers. As a scientific contribution, the study advances the field by
applying a multicriteria method to the analysis of OCB, presenting a
methodological approach that enables the hierarchical organization of behavioral
dimensions in the workplace. Furthermore, this research contributes
theoretically by expanding the understanding of how young workers prioritize
different dimensions of OCB, providing insights for management practices aimed
at developing more innovative and collaborative work environments.
Keywords:
Organizational Citizenship Behavior; Young Workers; Cooperation; multicriteria
modeling.
https://doi.org/10.22279/navus.v18.2344
1 INTRODUÇÃO
A área de Comportamento Organizacional (CO) é um campo de estudo que busca compreender como os trabalhadores se comportam dentro das organizações e como essas ações impactam diretamente o desempenho, a produtividade e o ambiente laboral (Robbins, 2009; Richter et al. 2019). Segundo Robbins e Judge (2013), o CO refere-se à análise de como indivíduos, grupos e a estrutura organizacional influenciam os comportamentos dos trabalhadores dentro das empresas. A compreensão dessas dinâmicas é de grande importância para os gestores e funcionários pois permite identificar formas de otimizar o desempenho, bem como no aumento a satisfação no ambiente de trabalho e promover o desenvolvimento organizacional (Wegner et al., 2025a).
A gestão eficaz dos comportamentos contribui para o alcance dos objetivos estratégicos, alinhando as necessidades dos trabalhadores com os objetivos da empresa (Robbins; Judge, 2013; Rossato et al., 2024). Essa compreensão das dinâmicas internas está diretamente ligada ao conceito de Comportamento de Cidadania Organizacional (CCO), que amplia o entendimento sobre as responsabilidades dos trabalhadores dentro das empresas.
Nesse contexto,
surge o conceito de CCO, introduzido por Organ nos estudos da década de 1980,
referindo-se às contribuições informais e vantajosas que os trabalhadores fazem em benefício da
organização (Bateman; Organ, 1983). Compreende-se que esses comportamentos trazem
benefícios tanto para os trabalhadores quanto para organizações (Intesarach;
Ueasangkomsate, 2026; Lima et al.,
2024; Toirova; Baek; Dadaboyev, 2026; Yang; Huang; YAN, 2026). Para Organ
(1988), os CCO são ações voluntárias desenvolvidas pelos trabalhadores, não
formalmente reconhecidas ou recompensadas, que visam contribuir para o
desempenho eficiente da organização.
Além disso, o CCO no ambiente de trabalho tende a estar fortemente relacionada ao nível de satisfação dos colaboradores e ao estilo de liderança adotado, uma vez que líderes que promovem um ambiente de trabalho positivo tendem a estimular comportamentos voluntários que favorecem o bem-estar coletivo (Organ; Podsakoff; Mackenzie, 2006). Diante desse contexto, surge o seguinte problema de pesquisa: “Quais são as ações de Comportamentos de Cidadania Organizacional mais importantes na percepção de jovens trabalhadores?”. Para responder a essa questão, esta pesquisa tem como objetivo geral analisar como os jovens trabalhadores priorizam os Comportamentos de Cidadania Organizacional no ambiente laboral. De modo específico, objetiva-se: (i) identificar a estrutura de priorização dos CCO; (ii) identificar diferenças na percepção dos CCO entre jovens homens e mulheres; e (iii) analisar os subcritérios mais relevantes.
O presente estudo justifica-se por sua contribuição à literatura sobre comportamento organizacional ao investigar como práticas de cidadania organizacional, caracterizadas por atitudes voluntárias e proativas, manifestam-se entre jovens trabalhadores de diferentes gêneros. A análise desse grupo permite compreender as particularidades do CCO, contribuindo para o entendimento de como tais ações ocorrem e podem variar entre jovens homens e mulheres.
Este estudo apresenta contribuições práticas para diferentes públicos. Para as organizações, os resultados indicam quais CCO são mais valorizados pelos jovens, auxiliando na criação de políticas de gestão e práticas de liderança que reforcem a cooperação no ambiente laboral. Para os trabalhadores, especialmente jovens, os achados mostram como atitudes de apoio mútuo e orientação podem favorecer o desenvolvimento profissional e o clima organizacional em que atuam. No campo acadêmico, o estudo fortalece a literatura ao aplicar o método Analytic Hierarchy Process (AHP) na análise dos CCO, oferecendo bases para futuras pesquisas. Compreende-se que o método adotado é capaz de identificar ações que devem ser priorizadas, auxiliando gestores na tomada de decisão e no desenvolvimento das atividades. Nesse sentido, o AHP contribui ao permitir a hierarquização e a comparação dessas ações de forma transparente e estruturada, apoiando líderes e pesquisadores na definição de prioridades e na alocação mais eficiente de recursos organizacionais.
Para a sociedade, os resultados destacam a importância de ambientes colaborativos para o desenvolvimento de relações de trabalho mais saudáveis e produtivas. O estudo também evidencia a relevância de ações voluntárias realizadas por jovens trabalhadores em benefício da comunidade, muitas vezes apoiadas ou incentivadas pelas empresas. Entende-se que esses comportamentos podem incluir participação em projetos sociais, campanhas solidárias, atividades voluntárias corporativas e ações voltadas ao desenvolvimento comunitário.
2. COMPORTAMENTO DE CIDADANIA
ORGANIZACIONAL
As organizações devem ser vistas como sistemas de
cooperação, mantidos por pessoas, e não apenas como mecanismos técnicos (Katz e
Kahn, 1978). Nesse sentido, alguns estudos (Rossato et al., 2024; Wegner et al.,
2025a) mostram que o CCO está ligado à disposição para cooperar, a qual
contribui para o fortalecimento da colaboração, buscando o autodesenvolvimento
dos profissionais e da organização. Para compreender melhor a teoria do CCO,
Blau (1964) explica que os funcionários estabelecem relações no ambiente
laboral e, nesse processo, podem ocorrer trocas econômicas ou sociais.
Nesse sentido, Eisenberger et al. (2001),
reforçam que, ao entender o CCO sobre a ótica da troca, evidencia-se o
intercâmbio entre a empresa e o indivíduo. Nessa perspectiva, a teoria da troca
social associa-se ao CCO, uma vez que essas atitudes tendem a surgir quando o funcionário
está satisfeito com suas atividades na empresa e se sente motivado a retribuir
de forma recíproca por meio de ações voluntárias (Andrade et al., 2018).
O conceito de CCO liga-se à ideia de que
os funcionários frequentemente demonstram atitudes positivas que excedem suas
responsabilidades formais no trabalho (Smith; Organ; Near, 1983). De acordo com
Organ, Podsakoff e Mackenzie (2006), o CCO foi originalmente estruturado em
cinco dimensões: altruísmo (ajuda aos colegas), cortesia, desportividade,
consciência e virtude cívica. Essas cinco dimensões representam a base teórica
clássica do CCO.
No entanto, para fins desta pesquisa, não se
utilizaram as cinco dimensões originais de Organ. O presente estudo adota a
estrutura da escala brasileira validada por Bastos, Siqueira e Gomes (2014),
que organiza o CCO em três dimensões: Sugestões Criativas, Divulgação da Imagem
Organizacional e Colaboração com Colegas.
Katz e Kahn (1978), por sua vez, afirmam que fazer
parte de uma organização implica também ser um “cidadão” na comunidade em que
ela opera, ampliando o papel dos membros além de suas funções formais. Essa
visão destaca que o desempenho organizacional não depende apenas do cumprimento
de tarefas prescritas, mas também de comportamentos espontâneos e voluntários
que auxiliam no funcionamento eficiente organizacional (Organ, 2018). Assim,
colaboradores que adotam atitudes proativas e colaborativas impactam
diretamente a cultura organizacional e o clima da empresa, criando um ambiente
de trabalho mais coeso e produtivo (Wegner et
al., 2021).
As práticas de CCO estão ligadas à ética dos
funcionários, juntamente com comportamentos favoráveis e voluntários em
benefício das necessidades dos colegas de serviço e da instituição (Garcia,
2013; Wegner et al., 2021). Diante
disso, o CCO se torna um aspecto relevante, pois fortalece as relações sociais
dentro da organização. Entende-se que essas atitudes oferecem a flexibilidade
necessária para que as pessoas aprendam a lidar com imprevistos, além de
contribuir para o desenvolvimento do ambiente organizacional (Smith; Organ;
Near, 1983).
Organ (1988) enfatiza que os CCO não podem ser
exigidos como parte das obrigações do trabalho nem motivados por recompensas
formais. Eles são espontâneos e refletem o compromisso do colaborador com a
organização (Wegner et al., 2025a).
Dessa forma, o CCO pode contribuir para a manutenção de um ambiente de trabalho
harmonioso, no qual os colaboradores se sentem parte integrante do processo
organizacional (Siqueira, 2003; Malheiros et
al., 2023). A ausência desse tipo de comportamento pode resultar em
ambientes de trabalho mais rígidos e menos colaborativos, prejudicando a
produtividade e o desempenho da equipe (Rossato et al., 2024).
A relação entre CCO e satisfação no trabalho é um
dos principais pontos discutidos por estudiosos da área. Siqueira (2013)
ressalta que empregados satisfeitos tendem a demonstrar maior envolvimento com
o CCO, contribuindo, assim, para o desempenho e o clima organizacional. Quando
os funcionários percebem que seu ambiente de trabalho é positivo, que suas
contribuições são valorizadas e que há uma cultura de respeito e colaboração,
eles tendem a se sentir mais motivados a agir de maneira altruísta em prol do
coletivo (Rossato et al., 2024).
Em um contexto empresarial cada vez mais dinâmico
e competitivo, o CCO assume um papel estratégico na diferenciação das
organizações (Wegner, 2023). Empresas que conseguem criar um ambiente onde os
funcionários se sintam valorizados e motivados a contribuir além de suas
obrigações formais apresentam maior capacidade de inovação, adaptação e sucesso
no mercado, conforme destaca Rossato et al. (2024). Dessa forma, compreender e
incentivar os CCO tornam-se essenciais para o desenvolvimento sustentável das
organizações.
3. METODOLOGIA DE PESQUISA
3.1 Classificação da pesquisa e coleta de dados
A
metodologia adotada neste estudo foi elaborada com base nos objetivos e na
natureza da pesquisa, caracterizando-se como uma pesquisa descritiva de
abordagem quantitativa. A pesquisa quantitativa busca mensurar fenômenos por
meio da coleta e análise de dados numéricos, utilizando instrumentos estruturados
e padronizados (Silva; Lopes; Braga Júnior, 2014). A escolha dessa abordagem justifica-se
pela necessidade de compreender o grau de prioridade atribuído às ações relacionadas
aos comportamentos voluntários, utilizando a modelagem multicritério.
A
pesquisa descritiva, conforme Gil (2008), tem como propósito observar,
registrar, analisar e correlacionar fatos ou fenômenos sem interferência do
pesquisador. Seu objetivo principal é descrever características de um
determinado grupo, população ou fenômeno, permitindo a formulação de hipóteses
e o levantamento de informações relevantes para investigações futuras. Diante
disso, a presente pesquisa busca descrever a realidade dos jovens trabalhadores
investigados em relação aos CCO.
Esta
pesquisa baseia-se exclusivamente em fontes de dados primários, ou seja, dados
coletados por meio de questionário. Os dados primários foram coletados
diretamente junto aos participantes da pesquisa mediante um questionário
estruturado. Ressalta-se que, neste estudo, foi utilizada uma escala validada
no contexto brasileiro por Bastos, Siqueira e Gomes (2014), referente aos CCO.
O instrumento de coleta de dados contou com dois blocos de questões. O primeiro
bloco destinou-se a mapear o perfil sociodemográfico dos participantes,
contemplando seis questões, enquanto o segundo abordou aspectos relacionados
aos CCO, contemplando quatorze questões divididos em três dimensões (Sugestões
criativas, Divulgação da Imagem Organizacional e Colaboração com os colegas).
3.2.
População e análise dos dados
A
coleta de dados foi realizada com 109 jovens trabalhadores atuantes de diversas
áreas do mercado de trabalho. A análise dos dados coletados ocorreu por meio de
métodos quantitativos, buscando garantir rigor e profundidade na interpretação
dos resultados. Assim, utilizou-se o método Analytic Hierarchy Process
(AHP), criado por Thomas Lorie Saaty. Segundo Saaty (2008), esse método consiste
em uma técnica robusta para a priorização e hierarquização das ações.
Salienta-se que o método AHP foi escolhido por sua capacidade de identificar o
grau de importância de critérios e subcritérios, facilitando a comparação e a
tomada de decisão com base em múltiplos fatores. Essa abordagem vem sendo
utilizada em pesquisas voltadas ao comportamento organizacional (Bianchim et al., 2025; Posser et al., 2023; Ramadam et al., 2022), proporcionando resultados
que podem auxiliar gestores no desenvolvimento de ambientes organizacionais
mais produtivos (Wegner et al., 2020).
Na
etapa seguinte, o método envolve a comparação pareada dos elementos,
convertendo as avaliações em valores quantitativos. Esses valores, derivados da
escala de Saaty, revelam a importância relativa de cada questão avaliada,
conforme apresentado na Tabela 1.
Tabela
1 – Escala de importância de Saaty
|
Escala |
Avaliação |
Recíproco |
|
Extremamente
preferido |
9 |
1/9 |
|
Muito
forte a extremo |
8 |
1/8 |
|
Muito
fortemente preferido |
7 |
1/7 |
|
Forte
a muito forte |
6 |
1/6 |
|
Fortemente
preferido |
5 |
1/5 |
|
Moderado
a forte |
4 |
1/4 |
|
Moderadamente
preferido |
3 |
1/3 |
|
Igual
a moderado |
2 |
1/2 |
|
Igualmente
preferido |
1 |
1 |
Fonte:
Adaptado de Saaty (2008).
Na
sequência, após o desenvolvimento do julgamento par a par das questões
analisadas, realizou-se a análise do Índice de Consistência (IC) e da Razão de
Consistência (RC). Para isso, utilizou-se o Índice Randômico, de acordo com as
informações apresentadas na Tabela 2. Esse índice corresponde ao resultado
obtido a partir da matriz randômica recíproca (Saaty, 2008).
Tabela
2 – Índices Randômicos
|
Ordem
da Matriz (N) |
1 |
2 |
3 |
4 |
5 |
6 |
7 |
8 |
9 |
10 |
|
Índice
Randômico (IR) |
0 |
0 |
0,58 |
0,90 |
1,12 |
1,24 |
1,32 |
1,41 |
1,45 |
1,49 |
Fonte:
Saaty (1991).
Nesse
sentido, a aplicação do método AHP nesse estudo ocorreu em três etapas. No
primeiro momento foi realizado o modelo hierárquico, composto pelo objetivo, os
três critérios (Sugestões criativas, Divulgação da Imagem Organizacional e
Colaboração com os colegas) e pelos quatorze subcritérios. No segundo momento, desenvolveu-se
o julgamento par a par dos critérios e subcritérios por meio das médias das
variáveis apresentadas, conforme a percepção dos jovens trabalhadores. Por fim,
na última etapa, foram identificados os vetores de prioridade, o Índice
Randômico e o Índice de Consistência.
Ressalta-se,
que os índices randômicos utilizados neste estudo foram de 0,58 para a
comparação dos critérios (Sugestões criativas, Divulgação da Imagem
Organizacional e Colaboração com os colegas), referente a uma matriz de 3x3;
utilizou-se o índice randômico de 1,12 para duas matrizes de 5x5
correspondentes aos subcritérios pertencentes às dimensões Sugestões Criativas
e Divulgação da Imagem Organizacional; e um índice randômico 0,90 para uma
matriz 4x4 correspondente aos subcritérios pertencente à dimensão Colaboração com
os Colegas.
Conforme
apresentado na Tabela 2, Saaty (1991) forneceu os Índices Randômicos (IR) para
matrizes de ordem 1 a 10, calculados experimentalmente. Segundo o autor, quanto
mais próxima de zero for a RC, maior será a consistência da matriz. Um valor de
razão inferior a 0,10 é geralmente aceito como indicativo de consistência
razoável nos julgamentos, representando um nível de inconsistência de até 10%. Salienta-se
que, nesta pesquisa, todos os julgamentos apresentaram valores menores ou
iguais a 10%, evidenciando a consistência das matrizes analisadas. Para a
organização e análise dos dados coletados nesta pesquisa, foi utilizado o software
Microsoft Excel©.
4
APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
4.1
Perfil dos respondentes
Buscando
identificar o perfil dos respondentes, analisaram-se a as variáveis
sociodemográficas referentes aos jovens trabalhadores investigados. Nesse
contexto, a pesquisa contou com a participação de 109 jovens, entre homens e
mulheres.
Resumidamente,
a amostra desta pesquisa é composta majoritariamente por mulheres (63,3%),
enquanto os homens representam 36,7% dos participantes. Todos os respondentes
têm entre 18 e 24 anos, alinhando-se ao objetivo da pesquisa voltado aos jovens
trabalhadores. Quanto ao estado civil, 92,7% são solteiros e 7,3% são casados
ou vivem em união estável, o que pode refletir a fase de inserção no mercado de
trabalho. Em relação à escolaridade, verificou-se a predominância de jovens em
processo de formação, com ensino superior incompleto (39,4%) e ensino médio
completo (38,5%), seguidos por ensino médio incompleto (15,6%), ensino superior
completo (3,7%), ensino fundamental completo (1,8%) e pós-graduação (0,9%). Em
relação ao tempo de empresa, 78% trabalham há menos de um ano, 21,1% entre 1 e
3 anos e apenas 0,9% entre 3 e 5 anos. Verificou-se ainda que a maioria dos
participantes (98,2%) não ocupa cargos de liderança, enquanto apenas 1,8%
exercem posição de gestão.
4.2
Análise do grau de prioridade de Comportamento de Cidadania Organizacional
Buscando
identificar as prioridades relacionadas aos comportamentos voluntários, foram analisados
os critérios e subcritérios com base nas percepções dos jovens trabalhadores.
Na Tabela 3, apresenta-se o julgamento dos respondentes, considerando-se as
percepções de jovens homens e mulheres, o que possibilita compreender de forma
mais detalhada possíveis variações perceptivas diante das ações mais e menos
priorizadas.
Tabela
3 – Julgamento dos critérios e subcritérios referente à Comportamento de
Cidadania Organizacional na percepção dos Jovens trabalhadores
|
Critérios |
Peso Local Mulheres |
Peso Local Homens |
Subcritérios |
Peso Local Mulheres |
Peso Local Homens |
|
Cr1. Sugestões Criativas |
0,0810 |
0,0629 |
Scr1. Apresento ao meu chefe soluções para os
problemas que encontro no meu trabalho. |
0,5145 |
0,5461 |
|
Scr2. Apresento ideias criativas para inovar o meu
setor de trabalho. |
0,0854 |
0,0683 |
|||
|
Scr3. Apresento sugestões ao meu chefe para
resolver problemas no setor onde trabalho. |
0,2071 |
0,2268 |
|||
|
Scr4. Apresento ao meu chefe ideias novas sobre
meu trabalho. |
0,0483 |
0,0397 |
|||
|
Scr5. Apresento novidades para melhorar o
funcionamento do setor onde trabalho. |
0,1448 |
0,1191 |
|||
|
λMax=3,065
IC=0,032 RC=0,056 |
λMax= 3,029
IC=0,015 RC=0,025 |
λMax= 5,223
IC=0,056 RC=0,050 |
λMax= 5,163
IC=0,041 RC=0,036 |
||
|
Cr2. Divulgação da Imagem Organizacional |
0,1884 |
0,2654 |
Scr6. Quando alguém de fora fala mal desta
empresa, eu procuro defendê-la. |
0,0857 |
0,0454 |
|
Scr7. Quando falo sobre esta empresa, passo a
melhor das impressões para as pessoas que não a conhecem. |
0,2286 |
0,3512 |
|||
|
Scr8. Descrevo para meus amigos e parentes as
qualidades desta empresa. |
0,1473 |
0,1534 |
|||
|
Scr9. Quando estou com meus familiares, costumo
elogiar esta empresa. |
0,0491 |
0,0988 |
|||
|
Scr10. Dou informações boas sobre esta empresa
para as pessoas que me perguntam sobre ela. |
0,4894 |
0,3512 |
|||
|
λMax=3,065
IC=0,032 RC=0,056 |
λMax= 3,029
IC=0,015 RC=0,025 |
λMax= 5,229
IC=0,057 RC=0,051 |
λMax= 5,123
IC=0,031 RC=0,026 |
||
|
Colaboração com os colegas |
0,7306 |
0,6716 |
Scr11. Ofereço apoio a um colega que está com
problemas pessoais. |
0,0603 |
0,0641 |
|
Scr12.
Ofereço orientação a um colega menos experiente no trabalho. |
0,4132 |
0,1207 |
|||
|
Scr13. Dou orientação a um colega que se sente
confuso no trabalho. |
0,1467 |
0,2375 |
|||
|
Scr14. Ofereço ajuda a um colega que está com
dificuldades no trabalho. |
0,3799 |
0,5777 |
|||
|
λMax=3,065
IC=0,032 RC=0,056 |
λMax= 3,029
IC=0,015 RC=0,025 |
λMax= 4,026
IC=0,009 RC=0,010 |
λMax= 4,100
IC=0,033 RC=0,037 |
||
Os
resultados obtidos nesta pesquisa demonstram que tanto as jovens mulheres
quanto os jovens homens atribuíram maior prioridade ao critério CR3 -
Colaboração entre Colegas, com valores de 0,7306 para mulheres e 0,6716 para
homens. Esse resultado reforça a relevância da cooperação no ambiente de
trabalho, uma vez que a colaboração entre colegas representa um dos pilares dos
CCO. Assim, os dados sugerem que a colaboração está associada ao apoio mútuo
entre trabalhadores, ao compartilhamento de conhecimentos e à disposição para
auxiliar os colegas na execução de suas tarefas. Esse tipo de comportamento
pode favorecer a criação de um clima organizacional positivo, aumentar a coesão
das equipes e potencializar a eficiência coletiva. A seguir, a Figura 1 expõe
algumas ações de cooperação com os colegas.
Figura
1 – CCO promovendo Cooperação entre os colegas
Colaborando
para os resultados apresentados, Wegner et al. (2025a) relatam que a cooperação
se manifesta, sobretudo, na ajuda prestada a colegas menos experientes ou aos
trabalhadores que enfrentam dificuldades em suas atividades, o que reforça seu
papel essencial para o fortalecimento das relações de trabalho.
Em
contrapartida, verificou-se que o CR1 – Sugestões Criativas obteve o menor grau
de prioridade na percepção dos jovens trabalhadores, com valores de 0,0810 para
mulheres e 0,0629 para homens. Este resultado sugere que os participantes
tendem a valorizar mais comportamentos relacionados à cooperação imediata com
os colegas. De acordo com Bastos, Siqueira e Gomes (2014), as Sugestões Criativas
são consideradas um importante CCO, envolvendo a proposição de ideias
inovadoras voltadas à melhoria de processos, à resolução de problemas e à
otimização das atividades diárias.
Observa-se que a baixa prioridade atribuída às
Sugestões Criativas pode estar associada a uma maior percepção de risco, à
falta de confiança na implementação das ideias ou, ainda, à preferência por
ações que tragam resultados mais imediatos e tangíveis no ambiente de trabalho.
Além disso, esse resultado também pode estar relacionado à menor experiência profissional
desses jovens diante do mercado de trabalho, o que possivelmente influencia a
receptividade das lideranças em relação às ideias sugeridas.
Na
sequência, buscou-se avaliar o grau de importância dos subcritérios dentro do
CR1, identificando os subcritérios mais priorizados. Observa-se que tanto as mulheres
(0,5145) quanto os homens (0,5461) atribuíram maior prioridade ao Subcritério 1
(SCR1), que se refere à: “Apresento ao meu chefe soluções para os problemas que
encontro no meu trabalho”. Esse comportamento evidencia a disposição dos jovens
trabalhadores em contribuir ativamente para a melhoria do ambiente
organizacional, oferecendo soluções concretas para questões do dia a dia. Além
de demonstrar iniciativa e comprometimento, esse tipo de atitude pode
fortalecer a comunicação com os superiores e possibilitar a implementação de
práticas que aumentam a eficiência e a eficácia das atividades laborais,
refletindo diretamente no desempenho da equipe e nos resultados
organizacionais. Na Figura 2 são demonstrados os comportamentos de cooperação
diante dos problemas.
Figura
2 – CCO frente a resolução de problemas
Os
jovens trabalhadores que demonstram preocupação com os problemas do dia a dia
evidenciam comprometimento com a eficiência operacional, buscando antecipar e
resolver essas questões para evitar complicações futuras. Segundo Bastos,
Siqueira e Gomes (2014), esses comportamentos refletem atitudes de colaboração
e apoio mútuo, nas quais os funcionários assumem responsabilidades pelo sucesso
coletivo, contribuindo para a melhoria contínua e para o alcance das metas
organizacionais.
Em
contrapartida, o SCR4 “Apresento ao meu chefe ideias novas sobre meu trabalho” foi
o menos priorizado tanto por homens (0,0397) quanto mulheres (0,0483). Isso
pode indicar que os jovens trabalhadores percebem essa atitude como arriscada
ou temem que suas sugestões não sejam valorizadas. Além disso, a menor
experiência profissional e a necessidade de se adaptarem ao ambiente de
trabalho podem levá-los a focar mais na cooperação com colegas do que em propor
inovações formais. Dessa forma, embora tenham potencial criativo, os jovens
tendem a compartilhar ideias novas de forma mais cautelosa.
Na
dimensão CR2 – Divulgação da Imagem Organizacional, observou-se que as jovens
mulheres atribuíram maior prioridade ao SCR10 - “Dou informações boas sobre
esta empresa para as pessoas que me perguntam sobre ela” (0,4894). os
subcritérios mais priorizados foram o SCR10 – “Dou informações boas sobre esta
empresa para as pessoas que me perguntam sobre ela” (0,3512) e o SCR7 – “Quando
falo sobre esta empresa, passo a melhor das impressões para as pessoas que não
a conhecem” (0,3512). Esses comportamentos podem estar associados ao sentimento
de pertencimento e à identificação positiva com o local de trabalho. Além
disso, ao compartilhar informações favoráveis, eles reforçam a reputação da
empresa no meio social, contribuindo para a atração de novos talentos e para a
valorização da imagem institucional. Corroborando esses resultados, Wegner et
al. (2025b) ressaltam que os CCO ajudam a fortalecer a imagem das organizações,
uma vez que colaboradores satisfeitos tendem a falar positivamente sobre as
empresas para o público externo. Na Figura 3 são demostrados os CCO frente à
divulgação da imagem da empresa.
Figura
3 – CCO e divulgação da imagem das organizações
Entre
trabalhadores, os CCO também podem gerar impactos relevantes para as
organizações (Costa et al., 2024;
Wegner, 2023). No que se refere à imagem corporativa, os dados sugerem que,
quando os jovens assumem atitudes voluntárias, podem contribuir para o
fortalecimento da reputação organizacional. Assim, ao demonstrar tais práticas,
os jovens transmitem à sociedade a percepção de que a organização possui uma
cultura de trabalho ética e positiva.
Em
contrapartida, observa-se que o SCR9 - “Quando estou com meus familiares,
costumo elogiar esta empresa”, foi o comportamento menos priorizado pelas
mulheres (0,0491), enquanto os homens atribuíram menor prioridade ao SCR6 - “Quando
alguém de fora fala mal desta empresa, eu procuro defendê-la” (0,0454). Esse
resultado pode sugerir que os trabalhadores jovens tendem a separar mais
claramente sua vida profissional do pessoal, não levando com frequência
discussões sobre o trabalho para o ambiente familiar e outros contextos sociais.
Na
terceira e última dimensão analisada, que diz respeito ao CR3, constatou-se que
as mulheres priorizaram o SCR12 – “Ofereço orientação a um colega menos
experiente no trabalho” (0,4132), e os homens priorizam o SCR14 - “Ofereço
ajuda a um colega que está com dificuldades no trabalho” (0,5777). Esses
resultados sugerem que os trabalhadores jovens valorizam o apoio mútuo e a
cooperação no ambiente laboral, demonstrando disposição em contribuir para o
desempenho coletivo. Essa postura pode estar associada ao sentimento de
pertencimento e ao reconhecimento de que o sucesso organizacional depende
também da união, fortalecendo vínculos sociais e promovendo um clima de
trabalho mais colaborativo. De acordo com Wegner et al. (2026), os
trabalhadores que desempenham os CCO tendem ajudar seus colegas nas atividades,
buscando tornar o ambiente de trabalho mais produtivo. Na Figura 4 são
demonstrados os CCO relacionados às ações de cooperação.
Figura
4 – CCO e seus reflexos na cooperação
Segundo
Rapp, Bachrach e Rapp (2013), os CCO são motivados pelo senso de reciprocidade,
favorecendo as relações sociais entre os trabalhadores, além de colaborar para
o cumprimento das atividades organizacionais. De acordo com Eisenberger et al.
(2001), ao compreender o CCO pela ótica da troca, evidencia-se o intercâmbio
entre o indivíduo e a organização. Nessa perspectiva, esses comportamentos
tendem a surgir quando o trabalhador está satisfeito com a empresa e motivado a
retribuir de forma recíproca (Andrade et
al., 2018; Wegner et al., 2025b).
Em
contrapartida, notou-se que as jovens mulheres (0,0603) e os homens (0,0577)
priorizam em menor grau a ação referente ao SCR11 – “Ofereço apoio a um colega
que está com problemas pessoais”. Esse resultado pode sugerir que muitos jovens
trabalhadores tendem a estabelecer limites mais claros entre a vida pessoal e
profissional, evitando envolver-se diretamente em questões pessoais dos
colegas. Além disso, fatores relacionados à menor experiência profissional ou à
cautela diante de situações pessoais delicadas podem estar associados à menor
disposição em oferecer apoio nesse contexto.
Ressalta-se
que todos os julgamentos apresentaram índices de consistência (RC) menores ou
iguais a 0,10, indicando que as comparações realizadas pelos respondentes
mantiveram coerência lógica entre si, conforme as recomendações de Saaty
(2008).
4.3
Propostas de ações de melhorias
Diante
dos resultados apresentados neste estudo, especialmente em relação aos CCO
menos priorizados pelos jovens trabalhadores, torna-se relevante propor ações
que possam estimular o desenvolvimento dessas dimensões no ambiente
organizacional. No que diz respeito ao SCR4 – “Apresento ao meu chefe ideias
novas sobre meu trabalho”, integrante do critério CR1, constatou-se que tanto
jovens homens quanto mulheres atribuíram baixa prioridade a esse comportamento.
Esse resultado pode sugerir a existência de dificuldades na comunicação
vertical entre colaboradores e liderança, possivelmente associadas à cautela na
exposição de ideias, à percepção de baixa receptividade por parte dos gestores
ou à compreensão de que as sugestões apresentadas possuem impacto limitado no
ambiente organizacional.
Corroborando
esse contexto, Wegner (2023) ressalta a importância de a liderança estimular os
CCO no ambiente laboral, visto que essa prática pode favorecer o
desenvolvimento desses comportamentos entre os trabalhadores. Nesse sentido,
compreende-se que a liderança deve incentivar espaços de diálogo e abertura
para a exposição de ideias, contribuindo para ambientes de trabalho mais
colaborativos e criativos.
O etarismo no mercado de trabalho também pode
afetar profissionais mais jovens, reduzindo oportunidades de inserção e
dificultando o pleno aproveitamento de suas capacidades. Esse cenário pode
gerar desigualdades e limitar a contribuição equilibrada de diferentes gerações
no ambiente organizacional (Coelho et al., 2024). Além disso, tais fatores
podem estar associados à menor valorização de comportamentos relacionados à
proposição de ideias e à participação mais ativa dos jovens trabalhadores nos
processos organizacionais. Nesse sentido, evidencia-se a importância de
estratégias de incentivo que promovam a confiança, a escuta ativa e o reconhecimento
por parte da liderança.
Em
relação ao SCR2 - “Apresento ideias criativas para inovar o meu setor de
trabalho”, pertencente ao critério CR1, observa-se que tanto jovens mulheres
quanto homens atribuíram baixa prioridade a esse comportamento. Esse resultado
pode indicar uma limitação no engajamento criativo dentro dos setores,
possivelmente decorrente da ausência de estímulos institucionais, da percepção
de barreiras hierárquicas ou da falta de confiança em relação ao impacto que
suas ideias possam ter no ambiente organizacional.
No
que se refere ao SCR9 – “Quando estou com meus familiares, costumo elogiar esta
empresa”, vinculado ao CR2, identificou-se que apenas as jovens mulheres atribuíram
menor prioridade a esse comportamento. Esse aspecto pode revelar uma menor
tendência em atuar como promotoras da imagem da organização em seus círculos
sociais, o que pode estar relacionado a fatores como insatisfação com práticas
internas ou falta de identificação plena com a cultura organizacional.
Por
fim, no caso do SCR5 – “Apresento novidades para melhorar o funcionamento do
setor onde trabalho”, também pertencente ao critério CR1, os resultados mostram
que somente os jovens homens atribuíram baixa prioridade a esse comportamento. Esse
achado pode sugerir menor valorização de ações relacionadas à proposição de
melhorias no cotidiano do setor, indicando a importância de estratégias
organizacionais voltadas ao incentivo da participação dos trabalhadores em
processos de inovação e aprimoramento das práticas laborais.
5
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta
pesquisa teve como objetivo analisar como os jovens trabalhadores priorizam os
Comportamentos de Cidadania Organizacional no ambiente laboral. Os resultados
permitiram compreender que os participantes atribuíram maior relevância aos
comportamentos relacionados à cooperação, ao apoio interpessoal e à colaboração
entre colegas. Além disso, observou-se priorização de ações voltadas à
orientação de trabalhadores menos experientes e à valorização da imagem
organizacional.
No
que se refere às três dimensões do CCO, constatou-se que a dimensão
“Colaboração com os Colegas” apresentou maior destaque entre os jovens
trabalhadores, especialmente em comportamentos relacionados à oferta de ajuda
diante de dificuldades no trabalho. Observou-se ainda que as jovens mulheres
atribuíram maior prioridade a ações relacionadas ao apoio interpessoal e à
orientação de colegas menos experientes. Esses resultados sugerem valorização
de comportamentos colaborativos voltados ao acolhimento, à troca de
conhecimentos e ao suporte no ambiente organizacional.
A
dimensão “Divulgação da Imagem Organizacional” apresentou maior priorização
entre os jovens homens. Nesse contexto, destacaram-se comportamentos
relacionados à valorização da empresa e ao compartilhamento de percepções
positivas sobre o ambiente de trabalho. Tais práticas podem contribuir para o
fortalecimento da imagem organizacional no contexto social e profissional.
Os
resultados também demonstraram que a dimensão “Sugestões Criativas” apresentou
menor prioridade entre os jovens trabalhadores investigados. Esse achado pode
estar relacionado ao momento inicial da trajetória profissional desses
participantes, marcado por processos de adaptação e aprendizagem no ambiente
organizacional. Além disso, fatores relacionados à hierarquia organizacional, à
menor experiência profissional e à autonomia percebida podem estar associados à
menor priorização de comportamentos voltados à proposição de ideias e sugestões
de melhoria.
Os
achados desta pesquisa indicam possíveis diferenças nas prioridades atribuídas
aos CCO entre jovens homens e mulheres, evidenciando a importância de
considerar essas percepções no desenvolvimento de práticas organizacionais e
estratégias de gestão voltadas à promoção de ambientes colaborativos e
inclusivos. Além disso, o estudo contribui ao evidenciar comportamentos
voluntários considerados relevantes por trabalhadores em início de trajetória
profissional.
Ao
identificar as prioridades atribuídas aos CCO, tornou-se possível compreender
como os jovens trabalhadores percebem práticas relacionadas à cooperação, ao
apoio interpessoal e às contribuições para o ambiente organizacional. Nesse
sentido, esta pesquisa oferece subsídios para que organizações desenvolvam
estratégias de gestão, programas de desenvolvimento e ações de incentivo
voltadas ao fortalecimento de comportamentos colaborativos e socialmente
responsáveis no ambiente laboral.
Como contribuição científica, o estudo
avança ao aplicar um método multicritério na análise dos CCO, apresentando uma
abordagem metodológica que permite hierarquizar dimensões comportamentais no
ambiente de trabalho. Como limitação, destaca-se o fato de a pesquisa ter sido
desenvolvida exclusivamente com jovens trabalhadores. Dessa forma, recomenda-se
que estudos futuros analisem os CCO em públicos de diferentes faixas etárias,
utilizando outras escalas e associando o tema a variáveis como engajamento,
liderança transformacional, cultura organizacional e satisfação no trabalho,
ampliando a compreensão dos CCO em diferentes contextos organizacionais.
Sugere-se
também a realização de pesquisas em organizações que atuam com princípios
cooperativos, como cooperativas, buscando compreender como a cooperação
influencia os CCO nesses contextos. Além disso, recomenda-se o desenvolvimento
de estudos voltados à relação entre jovens trabalhadores e temas associados à
sustentabilidade organizacional, como Comportamento de Cidadania Organizacional
para o Meio Ambiente (CCO-MA), Liderança Transformacional Verde (LTV) e
Engajamento Verde.
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