Capital
Intelectual e Competências: Um Mapeamento da Produção Científica Conjunta
Intellectual
Capital and Competencies: A Mapping of Collaborative Scientific Production
|
Danielle Moura Dantas Scultori |
Mestranda
em Gestão do Conhecimento nas Organizações. Centro Universitário de Maringá
(UNICESUMAR) – Brasil. daniscultori@gmail.com |
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Hilka Pelizza Vier Machado |
Doutora em Engenharia de Produção. Universidade Federal de Santa
Catarina (UFSC) – Brasil. hilka.machado@unicesumar.edu.br |
|
Marcos Aurelio Brambilla |
Doutor em Teoria Econômica. Universidade Estadual de Maringá (UEM) –
Brasil. marcos.brambilla@unicesumar.edu.br |
RESUMO
Os conceitos de capital intelectual (CI) e
competências se tornam relevantes na atual sociedade, onde o conhecimento é um
ativo intangível valioso para o indivíduo e as organizações. Ambos estão
diretamente associados com a gestão do conhecimento, que garante a utilização
da base de conhecimento da organização, juntamente com as competências
individuais. Este artigo tem como objetivo identificar as produções científicas
na intersecção desses dois campos e a relevância da relação nas organizações, e
por fim analisar os temas explorados, através de uma revisão sistemática. Os resultados
apontam uma quantidade limitada de documentos que abordam a intersecção entre CI
e competências. As produções se concentram no Brasil e Reino Unido, e os temas
variados destacam a relevância do CI para a vantagem competitiva, nas
universidades, em institutos federais e na capacidade de inovação. Foi possível
identificar temas dos estudos com foco em diferentes campos sob a perspectiva
do CI e competências. Os quais foram classificados em cinco diferentes temas,
sendo eles: vantagem competitiva, universidades, conhecimento, capital verde e
inovação.
Palavras-chave: capital intelectual; competências;
conhecimento; ativo intangível; organizações.
ABSTRACT
The concept of intellectual
capital (IC) and competences becomes relevant in the current society, where
knowledge is an invaluable intangible asset for the individual and
organizations. Both are directly associated with knowledge management, which
assures the use of the organization’s knowledge base, together with individual
competences. This article, through a systematic review, has the goal of
identifying scientific research in the intersection of these two fields, the
relevance of this relationship in organizations, and finally analyzing the
explored themes. The results point to a limited number of documents which
approach the intersection of intellectual capital and competences. The
productions are concentrated in Brazil and the United Kingdom, and the various
themes highlight the relevance of IC for competitive advantage, universities,
knowledge, federal institutes,
and capacity for innovation. It was possible to identify study subjects focused
on different fields under the perspective of IC and competences. These were
classified into 5 different subjects: competitive advantage, universities,
knowledge, green capital and innovation.
Keywords: intellectual capital; competences; knowledge;
intangible assets; organizations.
Recebido em 17/06/2025. Aprovado em 02/06/2026. Avaliado pelo sistema
double blind peer review. Publicado conforme normas da ABNT.
https://doi.org/10.22279/navus.v18.2156
1 INTRODUÇÃO
A transição da sociedade industrial para a sociedade do
conhecimento evidenciou o conhecimento como algo a ser considerado de maneira
ativa na sociedade. Formiga (2022) afirma que atualmente vivemos no período do
poder do cérebro, onde se torna necessário qualificar e quantificar o empregado
na tarefa executada. Acrescentar valor à atividade intelectual ou ao processo
de produção de bem ou serviço é potencializar o domínio do saber
Nesse âmbito, emergem o conceito de capital intelectual
(CI) e competências. O CI pode ser definido como a soma das habilidades,
conhecimentos, atitudes e relacionamentos interpessoais do indivíduo, enquanto,
no âmbito organizacional, o capital intelectual representa os recursos
intangíveis capazes de produzir ativos de alto valor para a empresa
As competências estão associadas à capacidade do indivíduo
em atingir resultados esperados no contexto organizacional através da interação
entre o indivíduo e a organização
O conhecimento está intrínseco nas atitudes e na experiência
corporal do indivíduo, tanto quanto nos ideais, valores ou emoções que ele vivencia,
e é importante para a formação de competências. Apresenta-se de formas
diferentes, o conhecimento explícito pode ser expresso em palavras, números,
dados e diversos recursos visuais, podendo ser facilmente compartilhado,
enquanto o conhecimento tácito é de caráter pessoal, ligado às experiências,
valores e emoções do individuo, é mais subjetivo, o que dificulta o
compartilhamento
Ambos os conceitos de CI e competências estão diretamente
associados com a gestão do conhecimento (GC). A GC é o meio que garante a
utilização da base de conhecimento da organização, juntamente com as
competências individuais, pensamentos, inovações e ideias para criar uma
organização mais eficaz e eficiente
Com isso, o conhecimento deixa de ser apenas um elemento
auxiliar na criação do poder monetário e força física, tornando-se essencial
nas organizações, um recurso relevante a ser controlado
A produção científica em cada um dos temas separados é vasta. Por exemplo, em uma busca na base de dados da Web of Science por título com o termo "intellectual capital", obteve-se como resultado 2.551 documentos, e na busca com o termo “competence”, obtiveram-se 30.912 documentos. Porém a busca com a relação dos dois conceitos é limitada. A intersecção entre os dois campos pode revelar subsídios mais concretos para a compreensão das competências no âmbito da GC. Com isso, essa revisão buscou responder à seguinte questão: Como se configura a produção científica conjunta dos temas CI e competências? Essa revisão tem por objetivo identificar o volume de produção científica envolvendo os dois temas, bem como enfoques, contextos e evolução dos estudos.
Por meio de uma pesquisa bibliográfica, que promove uma
compreensão das produções científicas, autores e a representação dessas
informações em um determinado campo
2 GESTÃO DO CONHECIMENTO, CAPITAL INTELECTUAL E COMPETÊNCIAS
A GC conta com a aplicação de métodos de forma sistemática
para a captura, estruturação, gestão e compartilhamento do conhecimento, com o
objetivo de garantir a utilização da base de conhecimento da organização
O conhecimento é um ativo intangível presente nos três
pilares da GC, os quais são: pessoas, processos e tecnologia; esses pilares
juntos promovem a gestão estratégica do conhecimento, uma ferramenta importante
e valiosa para as organizações e a sociedade
O CI e as competências se tornam conceitos indispensáveis
para o pilar pessoas no âmbito da GC, pois o conhecimento reside nas pessoas,
sem elas o conhecimento não pode ser aplicado ou compartilhado
Figura 1 - Composição e resultado do CI
Fonte: Elaborado pelos autores com base em Agostineto et al. (2022), Cabrita et al. (2017), Formiga (2022).
Assim, é possível visualizar na Figura 1 o processo que
compõe o CI, por meio do conhecimento tácito e explícito, experiências e
competências que, quando aplicados nas organizações, resultam em um
desenvolvimento socioeconômico, inovação e vantagem competitiva
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Este estudo consiste em uma revisão sistemática da
literatura, a qual envolve a seleção e identificação de documentos, com o
objetivo de compreender as produções científicas, autores e a representação
dessas informações em um determinado campo
Para obter informações e realizar a análise, iniciou-se a coleta de dados através das buscas a fim de compreender os estudos relacionados ao capital intelectual e às competências, nas bases de dados da Anpad Spell, Scopus, Web of Science e Emerald. Essas bases foram selecionadas pela relevância para o campo da GC.
No primeiro momento, a presente construção do banco de dados iniciou-se a partir de uma pesquisa bibliográfica com os seguintes termos: “intellectual capital AND compet*”, “intellectual capital AND competence” pelo título do documento, nas bases de dados de busca científica Scopus, Web of Science e Emerald. Essas palavras-chave foram escolhidas a partir do objeto de estudo central dessa pesquisa, o CI e competências, e a relevância da relação entre elas no campo das organizações. Os critérios utilizados para a seleção da busca foram: busca por título e tipo de documento, delimitando a somente artigos científicos e publicações até o ano de 2024. A base Scopus resultou em 27 artigos, a Web of Science em 12 e a Emerald em 21, totalizando 60 artigos nessa primeira etapa da busca nas respectivas bases de pesquisa.
Em seguida, foi realizada a busca na base da Spell. Utilizou-se como critério de pesquisa a busca por título: “capital intelectual e competências” o que resultou em nenhum documento encontrado, a fim de ampliar as buscas, optou-se por redefinir o termo e pesquisar “capital intelectual” o que resultou em 143 documentos. Foram aplicados os filtros de limitação a somente artigos científicos e idioma, limitando a busca aos artigos em português, espanhol e inglês, o que permitiu identificar 140 artigos publicados. Iniciou-se a leitura analítica dos resumos a fim de identificar estudos relacionados ao capital intelectual e competências, voltados ao âmbito do conhecimento, universidades e organizações de ensino.
Após, com a leitura do título e do resumo de cada documento, a fim de identificar os artigos relacionados ao CI nos campos do conhecimento e organizações, e sua relação com competências, foram selecionados 22 artigos da Spell. Ainda na fase de leitura analítica, foram identificados documentos relacionados ao desempenho de pequenas empresas, estudos relacionados à área contábil, rentabilidade e engenharias, os quais foram excluídos da seleção. Como critério de inclusão, foram utilizados estudos relacionados à formação de CI, estudos em institutos, universidades e contribuição do CI para as organizações, conhecimento e inovação, dos quais foram selecionados 22 artigos para análise do banco de dados da Spell.
Por fim, os documentos selecionados na busca em diferentes bases resultaram em um banco de dados formado pela soma dos artigos selecionados de cada base, sendo: Spell (22), Scopus (14), Emerald (11) e Web of Science (1). Os quais foram consolidados em um banco de dados único, o que permitiu identificar os documentos duplicados, sendo eles excluídos da seleção. O total de documentos compilados para análise foi de 48 artigos, os quais compõem o referencial teórico dessa pesquisa. A seguir, a Figura 2 apresenta a busca detalhada e o banco de dados consolidado para a pesquisa.
Figura 2 - Resultados da busca detalhada e consolidada nas bases de dados

Fonte: Adaptado de Prisma (2021)
Assim, a base de dados para a análise consolidou-se em 48 artigos relacionados ao Cl e competências no campo das organizações. As matrizes dos dados foram criadas pelo software Microsoft Excel 2024, a fim de: (i) identificar o tema; (ii) identificar a conceituação de CI; e (iii) revisão de literatura. Posteriormente, foram criadas as visualizações gráficas a partir da análise e leitura dos documentos. Este estudo apresenta a relação da produção científica por países com suas respectivas quantidades, os autores mais citados, a evolução dos estudos.
Para a revisão de literatura, foi realizada a análise
temática, através de um processo de interpretação e estruturação dos dados
identificados, o qual apresenta uma interpretação contextualizada, a partir de
uma reflexão crítica
Na primeira rodada, os autores analisaram os resultados obtidos de forma independente, na qual se iniciou a categorização dos estudos com base nos conceitos e metodologias identificadas. A segunda rodada consistiu em analisar as categorias e discutir em conjunto a revisão dos temas, e por fim, realizou-se a estruturação conceitual com a categorização e definição dos objetivos da revisão sistemática.
4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Para a análise dos artigos, foi realizada a preparação dos dados obtidos na busca. O Quadro 1 apresenta os artigos analisados com as informações: título, autoria e revista, os quais foram incluídos na análise para leitura completa e realização da revisão de literatura, a qual será apresentada a seguir.
Quadro 1 – Base de Dados Artigos Analisados
|
Título |
Autoria e Ano |
Revista |
|
Uso do
capital intelectual para avaliação de projetos de tecnologia educacional: o
caso Proinfo |
|
Revista de Administração Pública |
|
Intellectual capital and the capital market –
organization and competence |
|
Accounting, Auditing & Accountability Journal |
|
Russian Small Innovative Enterprises (SIEs),
intellectual capital and competitiveness: knowledge-based SIEs in a
transitional economy (Part I: conceptual framework and preliminary analysis
of field research) |
|
International Journal of Learning and Intellectual
Capital |
|
A importância
do capital intelectual na sociedade do conhecimento |
|
Contexto |
|
The positive effect of green intellectual capital on
competitive advantages of firms |
|
Journal of Business Ethics |
|
Evidenciação
do capital intelectual de natureza social e ambiental: estudo nos relatórios
anuais e nos sites das empresas listadas no Programa ‘Em Boa Companhia’ da
Bovespa |
|
Revista de Negócios |
|
Evidências
empíricas da influência de alianças estratégicas no capital intelectual de
empresas |
|
BASE -
Revista de Administração e Contabilidade da UNISINOS |
|
Evidenciação
voluntária do Capital Intelectual de natureza social e ambiental da empresa
Natura Cosméticos S.A. no período de 2003 a 2008 |
|
Contextus -
Revista Contemporânea de Economia e Gestão |
|
The impact of outsourcing strategies on companies
intellectual capital |
|
Knowledge Management Research and Practice |
|
Contribuição
do capital intelectual no compartilhamento do conhecimento em uma rede de
ensino superior privada |
|
NAVUS -
Revista de Gestão e Tecnologia |
|
Capital intelectual
e competências distintas em PMEs madeireiras da Argentina |
|
Revista de
Administração de Empresas |
|
Effect of intellectual capital on competitive
advantage and business performance: Role of innovation and learning culture |
|
International Journal of Learning and Intellectual
Capital |
|
Capital
Intelectual e o Ensino Superior: Análise e Perspectivas |
|
Perspectivas em Gestão & Conhecimento |
|
Capital
intelectual: classificação, formas de mensuração e questionamento sobre usos
futuros |
|
NAVUS -
Revista de Gestão e Tecnologia |
|
Examining intellectual capital and competitive
advantage relationship Role of innovation and organizational learning |
|
International Journal Of Bank Marketing |
|
Capital
Intelectual e o Sistema de Controles Gerenciais das Instituições Públicas de
Ensino Superior: um Ensaio Teórico sob a Perspectiva da Teoria da
Contingência |
|
Revista
Ibero-Americana de Estratégia |
|
Harnessing network-based intellectual capital in
online academic networks. From the organizational policies and practices
towards competitiveness |
|
Journal of Knowledge Management |
|
Intellectual capital and competitive advantages in
natural resource-based SMEs in Latin America; |
|
Innovar |
|
The relationship between green intellectual capital
and competitive advantages |
Rezaei et al |
International Business Management |
|
Gestão do
Capital Intelectual pelo método de importância e desempenho no Instituto
Federal do Paraná. |
|
Revista de
Contabilidade e Controladoria |
|
Competitiveness and disclosure of intellectual
capital: an empirical research in Portuguese banks |
|
Journal of Intellectual Capital |
|
Intellectual capital and competitive advantage in
Uganda's microfinance industry |
|
African Journal of Economic and Management Studies |
|
Intellectual Capital Management as a Driver of
Competitiveness and Sustainability |
|
Journal of Intellectual Capital |
|
O Papel da
Aprendizagem Organizacional e Compartilhamento de Conhecimento sobre o
Desenvolvimento do Capital Intelectual na Universidade Islâmica Azad de
Khorramabad |
|
Revista Gestão & Tecnologia |
|
Association between intellectual capital and
competitive advantage: A case study on the hotel industry in bali province,
Indonesia |
|
Humanities and Social Sciences Reviews |
|
Capital
Intelectual: Estudo Bibliométrico e Mapeamento Nacional |
|
Revista de
Administração, Contabilidade e Economia da FUNDACE |
|
Estudo
Comparativo sobre a Divulgação de Intangíveis e Capital Intelectual em
Instituições de Ensino Superior no Brasil e na Áustria |
|
Administração: Ensino e Pesquisa |
|
Elementos
Formadores do Capital Intelectual no Contexto das Pequenas e Médias Empresas |
|
NAVUS -
Revista de Gestão e Tecnologia |
|
Intellectual capital, competitive advantage and the
ambidexterity liaison |
|
Human Systems Management |
|
Relacionando
Capital Intelectual, Gestão do Conhecimento e Sustentabilidade: Um Modelo
Conceitual |
|
NAVUS -
Revista de Gestão e Tecnologia |
|
Competition between human and artificial
intellectual capital in production and distribution in Industry 4.0 |
|
Journal of Intellectual Capital |
|
Creating competitive advantage through network ties,
entrepreneurial orientation and intellectual capital |
(Sam) Liu |
Management Decision |
|
Perspective directions of state regulation of
competition between human and artificial intellectual capital in Industry 4.0 |
|
Journal of Intellectual Capital |
|
Caracterización
del Capital Intelectual en las Universidades Públicas. Estudio
Comparativo |
|
International Journal of Professional Business
Review |
|
Importância
do capital intelectual em uma instituição de ensino superior |
|
Revista Organizações em Contexto |
|
Can intellectual capital promote the competitive
advantage? Service innovation and big data analytics capabilities in a
moderated mediation model |
|
European Journal of Innovation Management |
|
Capital
intelectual no contexto universitário: análise da literatura sob uma
perspectiva construtivista |
|
Revista de
Gestão e Secretariado |
|
Improving the performance/competency of small and
medium enterprises through intellectual capital |
|
Journal of Intellectual Capital |
|
Influência do
capital intelectual e da capacidade de absorção individual no desempenho da
inovação |
|
Revista de
Administração da UFSM |
|
Intellectual Capital and Competitive Advantage and
the Mediation Effect of Innovation Quality and Speed, and Business
Intelligence |
|
Sustainability |
|
Intellectual Capital and Competitive Advantages in
Higher Education Institutions: An Overview Based on Bibliometric Analysis |
|
Journal of Turkish Science Education |
|
Capital
intelectual: análise da base teórica para a produção científica |
|
Revista Capital Científico - Eletrônica |
|
Intellectual capital, corporate social
responsibility and sustainable competitive performance of small and
medium-sized enterprises: mediating effects of organizational innovation |
|
Kybernetes |
|
Capital
intelectual e o desempenho dos institutos federais |
|
Revista
Pensamento Contemporâneo em Administração |
|
Assessing competitiveness through intellectual
capital research: a systematic literature review and agenda for future
research |
|
Competitiveness Review: An International Business
Journal |
|
Green intellectual capital and competitive
advantage: the moderating role of corporate philanthropy during COVID-19 |
|
Journal of Intellectual Capital |
|
Intellectual capital and competitive advantage: A
structured literature review |
|
International Journal of Learning and Intellectual
Capital |
|
Intellectual capital and competitiveness improvement
among micro-small-medium enterprises: a resource orchestration view |
|
Journal of Small Business and Enterprise Development |
O termo CI e competências, quando pesquisados separadamente, obtém uma vasta quantidade de produção científica, porém, ao realizar a busca pelo título com os dois temas relacionados, CI e competências, essa quantidade de produções é inferior e limitada. Por isso, na relação dos artigos selecionados é possível encontrar somente 3 estudos com os termos em conjunto no título, ou seja, somente 3 artigos que trazem CI e competências no título. Isso indica uma lacuna de pesquisa em estudos científicos que relacionam o capital intelectual e competências, conforme aponta a busca detalhada na Figura 2.
É possível visualizar no gráfico a seguir a evolução temporal das publicações sobre CI e competências ao longo dos anos, a partir da base de dados da Figura 3.
Gráfico 1 – Evolução Temporal

É possível visualizar a baixa produção científica entre os anos de 2001 e 2013, sendo de 1 a 2 artigos por ano, o que pode ter relação com o fato de que a conceituação de Capital Intelectual é encontrada nas produções científicas a partir da década de 90, com Stewart (1994), Brooking (1996), Bontis (1998) e Edvinsson (1998)
A partir do ano de 2014, observa-se um crescimento gradual, com ênfase nos anos de 2017, 2019 e, principalmente, em 2022. Isso revela uma tendência de aumento na produção científica relacionada ao capital intelectual e competências.
Já com relação à produção científica, os 48 artigos analisados foram publicados em 27 revistas diferentes, as quais têm como origem países diferentes. Na Figura 3, visualiza-se a representação com a identificação da quantidade por país, com suas respectivas localizações geográficas em destaque no mapa-múndi.
Figura
3 - Países das revistas publicadas

Entre os países de origem das revistas em que os artigos foram publicados, o Brasil tem o número mais elevado de publicações, com um total de 22 artigos. Entre as revistas, destaca-se a NAVUS - Revista de Gestão e Tecnologia, a qual possui mais artigos publicados. Em seguida, está o Reino Unido, com 20 artigos, onde se destaca a revista Journal of Intellectual Capital com o maior número de artigos. Por fim, os países EUA, Suíça, Turquia, Holanda, Índia e Colômbia apresentaram o mesmo número de publicações, com 1 artigo de cada país. Isso demonstra a contribuição do Brasil e do Reino Unido na disseminação de informação e no fluxo de publicações de estudos relacionados ao campo do CI e competências nas organizações.
Além da origem das publicações das respectivas revistas, também foram identificados os artigos mais citados, representados na Tabela 1, que apresenta os cinco artigos mais citados.
Tabela 1 - Artigos mais citados
|
Título |
Autor |
Quantidade
de Citações |
Tema |
|
The
positive effect of green intellectual capital on competitive advantages of
firms |
Yu-Shan Chen (2008) |
1235 |
Explora o conceito de CI verde nas organizações e a consciência de sustentabilidade no mercado |
|
Examining
intellectual capital and competitive advantage relationship Role of
innovation and organizational learning |
Hardeep Chahal e Purnima Bakshi (2015) |
345 |
A relação das competências organizacionais com o CI resultantes em desempenho da organização |
|
Intellectual
capital and the capital market – organization and competence |
John Holland (2003) |
179 |
Explora o conhecimento e as competências nas organizações que podem agregando valor no mercado por meio do CI |
|
Can
intellectual capital promote the competitive advantage? Service innovation
and big data analytics capabilities in a moderated mediation model |
Ayman Wael Alkhatib e Marco Valeri (2022) |
148 |
Explora o impacto do CI na vantagem competitiva através das competências humanas aplicadas a inovação |
|
Effect
of intellectual capital on competitive advantage and business performance:
Role of innovation and learning culture |
Hardeep Chahal e Purnima Bakshi (2014) |
107 |
A contribuição do CI no desempenho organizacional por meio da cultura de aprendizagem e inovação |
4.1 Conceituação de CI
A busca se aprofundou no conceito de CI pelo fato de
somente 1 artigo dos 48 analisados apresentar competência com conceituação, os autores
F-Jardon e Martos (2014) definem competências como um ativo que afeta
diretamente o desempenho da empresa, em especial referência ao capital
intelectual. O CI pode ser definido como a “soma das habilidades,
conhecimentos, atitudes e relacionamentos interpessoais, enquanto no âmbito
organizacional o capital intelectual representa os recursos intangíveis capazes
de produzir ativos de alto valor para a empresa”
Nos artigos analisados, nota-se a apresentação de diferentes conceitos de CI, os quais foram abordados nos artigos analisados, datados em diferentes anos. O Quadro 2 apresenta os 14 conceitos mais recorrentes, e seus autores, encontrados nos estudos analisados.
Quadro 2 – Conceituação de CI
|
Autor |
Conceito de CI |
Referência |
|
Chen (2008) |
O estoque total do conhecimento coletivo, informação,
tecnologias, direito de propriedade intelectual, experiência, aprendizagem e
competência organizacional, sistemas de comunicação de equipe, relações com
clientes e marcas que são capazes de criar valores para uma empresa. |
(Stewart, 1994) |
|
Abdallah et al (2024) |
A capacidade de uma empresa gerar novo conhecimento,
difundi-lo entre os membros da organização e materializá-lo em produtos,
serviços e sistemas. |
(Nonaka;
Takeuchi, 1995) |
|
Fernández-Jardón
e Martos (2016) Santos et
al (2018) Feitosa et
al (2021) |
Combinação de ativos intangíveis, que trazem
benefícios intangíveis para as empresas e que capacitam seu funcionamento. |
(Brooking,
1996) |
|
Fernández-Jardón
e Martos (2016) Moreno et
al (2016) Navarro e
Bezerra (2023) |
Uma nova ferramenta de desempenho para agregar valor
às organizações, através do intelecto, para um melhor desenvolvimento da
organização. |
(Bontis,
1998) |
|
Chen (2008) Matos et
al (2011) Chahal e
Purnima (2015) Martins e
Ferreira (2015) |
Somatório do conhecimento de cada membro da
organização e à sua transformação em ações, na prática das tarefas diárias
que desempenham. |
(Roos;
Edvinsson; Dragonetti, 1998) |
|
Tovstiga et al (2005) Edvardsson (2011) Astuti (2019) Navarro e Bezerra (2023) |
A capacidade da organização em suprir as exigências
do mercado, através do conhecimento, informação, propriedade intelectual e
experiências utilizadas para gerar a riqueza. |
(Stewart,
1998) |
|
Mubarak et al (2019) |
É um indicador usado para determinar o valor de um
negócio. |
(Sveiby,
1998) |
|
Chahal e Purnima (2015) |
Ativo intangível composto de competências humanas,
conhecimento, capacidade, habilidades, experiência e relacionamentos com
clientes que fornecem a uma organização uma posição superior no mercado. |
(Sullivan,
1999) |
|
Werlang et al (2019) Wuitschik et al (2022) |
Elementos intangíveis e práticas desenvolvidas pelas
organizações para se adaptarem e atuarem na realidade exigida pelo mercado. |
(Antunes,
2000) |
|
Cabrita et al (2017) |
Conhecimento aplicado à prática, refletindo a
capacidade das organizações de executar. |
(DATI,
2000) |
|
Chahal e Bakshi (2014) |
Composto de competência humana, habilidade, skills,
experiência e outras formas de conhecimento úteis para o crescimento de uma
organização. |
(Edvinsson,
2000) |
|
Wuitschik et al (2022) |
Ativo intangível que fornece benefícios econômicos
futuros para a entidade que possui um adequado gerenciamento. |
(Lev,
2001) |
|
Werlang et al (2019) |
A soma das suas habilidades, conhecimentos, atitudes
e relacionamentos interpessoais, já no contexto organizacional o CI representa
os recursos intangíveis que produzirão ativos de alto valor para a empresa. |
(Antunes;
Martins, 2007) |
|
Mir e
Bazgir (2018) Martins e
Ensslin (2022) |
Recursos intangíveis que incluem atividades que
permitem que as organizações mudem suas formas financeiras e de recursos
humanos e sejam usadas como um recurso valioso, e através delas criarem valor |
|
No Quadro 2, de forma geral, CI é conceituado como a aplicação do conhecimento relacionado à experiência, que se reflete na capacidade de execução das organizações, agregando, assim, valor à organização. Stewart (1998) explora a dimensão da inteligência humana, sendo a soma das informações e do conhecimento, os quais agregam valor aos serviços e produtos nas organizações.
DATI (2000), Roos (1998), Edvinsson (2000) e Antunes e Martins (2007) relacionam o conceito de CI à experiência prática, à soma do conhecimento de cada indivíduo aplicado à organização. Wuitschik et al. (2022) também apontam as experiências dos indivíduos, somadas à propriedade intelectual, informação e conhecimento, como fatores que definem o CI.
Com relação aos conceitos mais citados, Thomas A. Stewart aparece com 10 citações entre os artigos. Em seguida, Roos, Edvinsson e Dragonetti (1998) aparecem com 7 citações conceituais. Antunes (2000), Antunes e Martins (2007), Bontis (1998), Brooking (1996), Sveiby (1998), Ramírez (2011) seguem com o mesmo número, de 3 citações. Artigos com datas de publicação anterior a 2005 e com datas mais recentes, de 2023, utilizaram a conceituação de CI apresentada por Stewart (1998), o que demonstra sua relevância e contribuição na discussão de CI.
4.2 Temas dos Artigos Analisados
Na pesquisa foi possível identificar temas dos estudos com foco em diferentes campos sob a perspectiva do capital intelectual e competências. Os artigos foram classificados em cinco diferentes temas, sendo eles: vantagem competitiva, universidades, conhecimento, capital verde e inovação, como mostra a Figura 4.
Figura 4 - Temas dos artigos analisados

O CI é explorado em diferentes campos de pesquisa. É
possível notar na Figura 4 a vantagem competitiva relacionada ao CI no campo
das organizações com o maior índice entre os artigos: 52.1% dos artigos
evidenciam como a busca pela competitividade das empresas e organizações
impulsiona a capacidade de busca por inovação e evidencia o papel fundamental
do CI na competitividade e performance empresarial
Os demais campos apontam para universidades, em que 16,7% dos artigos exploram o CI em centros de ensino superior; o campo do conhecimento, com 12.5% dos artigos voltados a GC e pesquisas em institutos federais; o campo do capital intelectual verde com 10,4% explora a sustentabilidade e gestão ambiental como ativos intangíveis do CI; e, por fim, 8.3% evidenciam o campo da inovação e a relação do CI, com a criação de novas tecnologias e inovação nas organizações.
4.2.1 Vantagem Competitiva
A revisão de literatura dos artigos analisados evidenciou a
vantagem competitiva como o campo mais explorado nos artigos dessa pesquisa,
sendo 52,1% dos artigos analisados. O CI impulsiona a eficiência, inovação,
exploração de ativos e tecnologias, gerando lucro e maior competitividade
Mubarik et al. (2019) ressaltam que, além da contribuição direta à vantagem competitiva, o CI também é fundamental para promover a ambidestria organizacional, a qual resulta da eficiência mais a inovação da empresa, e consiste na capacidade de explorar ativos para gerar lucro ao mesmo tempo em que explora novas tecnologias e mercados.
Kamukama e Sulait (2017), por meio de uma pesquisa
quantitativa, utilizando uma análise de regressão hierárquica, abordam o
impacto do CI na vantagem competitiva entre empresas de microfinanças em
Uganda. É necessário que haja uma destinação ideal de recursos intelectuais
para potencializar o valor da empresa, visto que o capital humano é um fator
relevante para o crescimento
F-Jardon e Martos (2014) apresentam a relação das
competências distintas no contexto de pequenas e médias empresas (PMEs) na
Argentina, e demonstram que as competências agregam o CI e se tornam relevantes
no aumento da competitividade. O fato de as empresas se apoiarem mais nos
recursos materiais do que nas competências pode ter influência sobre esse
resultado econômico a curto prazo
A vantagem competitiva apontada como uma contribuição do capital intelectual no âmbito das organizações releva a importância da prática da gestão do conhecimento a fim de identificar, mensurar e compartilhar esses ativos intangíveis que promovem o desempenho e o valor das organizações.
4.2.2 Universidades
Em seguida, a representação de 16,7% dos artigos está
relacionada ao campo das universidades, os quais exploram o conhecimento como o
bem de maior valor nas organizações, sendo o fator mais importante do sistema
produtivo
A relação do CI nas universidades é relevante por serem
centros que fomentam o conhecimento. É necessário criar estruturas apropriadas
para mensurar e relatar esses ativos intangíveis, como processos, capacidade de
inovação e conhecimento tácito, que criam valores, por meio de incentivos
econômicos na pesquisa, e podem potencializar os processos e resultados na
pesquisa
Para analisar a literatura sobre CI no contexto universitário, Martins e Ensslin (2022) utilizaram o Knowledge Development Process-Constructivist (ProKnow-C) como instrumento de intervenção. Essa análise identificou uma carência de pesquisadores nessa área de conhecimento e aponta o potencial do CI como meio de desenvolvimento regional e de impacto social nas universidades.
Feitosa et al (2021) abordaram a exploração de ativos intangíveis
na avaliação do CI nos programas de graduação realizados em uma cidade do
interior do Estado da Paraíba, nos quais se constatou uma deficiência na gestão
de recursos dos ativos relacionados ao conhecimento e CI. Ressaltam que ainda é
necessário uma gestão estratégica e políticas institucionais ligadas a
investimentos no capital humano para melhor controle sobre o impacto das suas
contribuições para o desenvolvimento do CI da instituição e para a criação e
disseminação do conhecimento
As universidades são instituições que promovem a criação e
disseminação do conhecimento, indispensáveis no desenvolvimento socioeconômico
e na criação de uma economia do conhecimento
4.2.3 Conhecimento em Institutos Federais
Com 12,5% dos artigos, estão os estudos que explanam o conhecimento como foco do CI, Holland (2003) e Santos et al (2008) evidenciam o conhecimento como um novo bem de produção, o qual tem limitações de mensuração, porém evidenciam o valor do conhecimento como um recurso econômico para as organizações por meio do CI. Vaz et al (2015) evidenciam os avanços teóricos do CI, ao mesmo tempo se faz necessário maior compreensão da geração de valor a partir do conhecimento. Meirelles et al (2017), Wuitschik et al (2022) e Navarro e Bezerra (2023) explanam o conhecimento como ativo intangível relevante no desempenho de institutos federais.
O CI e o conhecimento são ativos intangíveis que agregam
valor e requerem investimento estratégico, a fim de aprimorar o desempenho das
instituições e interessados, a fim de promover a criação do conhecimento
4.2.4 Capital Intelectual Verde
Um total de 10,4% dos artigos relaciona o capital intelectual verde ao CI. Chen (2008) aborda regulamentações ambientais e consciência ambiental do consumidor como fatores que agregam valor aos ativos intangíveis de uma organização. Rezaei et al. (2016) apontam a necessidade de olhar para o capital intelectual verde, principalmente para as empresas que buscam integrar práticas ecológicas em suas operações, aprimorando o seu impacto ambiental. Isso indica a relevância do conhecimento como vantagem competitiva sustentável e a necessidade da GC, assim como do investimento em CI por parte das organizações.
A soma dos ativos intangíveis, conhecimento, capacidades e
relações referentes à proteção ambiental e inovação verde, seja no nível
individual ou organizacional, é compreendida como capital intelectual verde. Ele
é visto como resposta às regulamentações ambientais e ao crescimento da
consciência ambiental dos consumidores, com o objetivo de promover ativos
intangíveis para a obtenção de vantagem competitiva em conjunto com as
tendências ambientais
Nascimento e Souza Junior (2019) relacionam o capital
intelectual, a GC e sustentabilidade em um modelo conceitual, que indica a
relevância do conhecimento como vantagem competitiva sustentável, assim como do
investimento em CI por parte das organizações. As pessoas são fundamentais na
construção de práticas e ações favoráveis à sustentabilidade, gerando
benefícios a longo prazo para as empresas
4.2.5 Inovação
Por fim, 8,3% dos artigos analisados abordam a inovação e sua relação com o CI. Agostineto et al. (2022) Bogoviz (2020), Gashenko et al (2020) e Joia (2001) apontam a capacidade de inovação como um dos efeitos associados ao CI, à integração das novas tecnologias e à inovação, bem como à relação do capital intelectual e às implicações da automação nas partes interessadas, visando a compreender os possíveis desafios socioeconômicos.
Gashenko et al (2020) propõem uma compreensão sobre a competição entre força de trabalho humana e inteligência artificial, por meio da identificação dos indicadores de produção, utilizando-se da regressão linear múltipla a fim de compreender as consequências no mercado e na economia nacional, tendo como base os países com maior desenvolvimento na Indústria 4.0. Exploram a competição entre o trabalho humano e a inteligência artificial e defendem o equilíbrio entre o avanço tecnológico e o emprego humano, e concluem trazendo uma ambiguidade, onde, em um primeiro cenário, há foco no desenvolvimento do potencial humano, e outro em potencializar o crescimento econômico através da automação seletiva.
Agostineto et al. (2022) identificam uma relação positiva entre o CI e as dimensões do desempenho dos negócios, mostrando a necessidade de as organizações investirem no desenvolvimento dos colaboradores, visando aumentar a capacidade de absorção do indivíduo, promovendo a criação e inovação. Apontaram que o CI contribui para um maior desempenho de inovação, tanto no âmbito da criação quanto na implementação de ideias.
O estímulo ao desenvolvimento dos colaboradores promove
melhor absorção do conhecimento, o que contribui para a criação e implementação
da inovação, gerando avanços tecnológicos, assim como o desenvolvimento do
capital intelectual e engajamento dos profissionais com as tecnologias
influenciam positivamente a iniciação de projetos de inovação
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta pesquisa apresentou estudos sobre CI e competências. O CI é um ativo intangível relevante para as organizações. Por meio de um estudo bibliográfico, mapearam-se os estudos publicados no campo de CI e competências em conjunto, identificaram-se os temas abordados e apresentaram-se as conceituações de CI.
Os principais resultados obtidos na busca e análise dos artigos selecionados foram a identificação dos países com mais produções científicas relacionadas ao tema CI e competências, sendo Brasil (22) e Reino Unido (20) os países de maior destaque. A revista NAVUS-Revista de Gestão apresentou o maior número de publicações, seguida da revista Journal of Intellectual Capital. E entre os autores mais citados está Yu-Shan Chen, com 1.235 citações.
Os resultados da pesquisa demonstraram uma quantidade reduzida de artigos relacionando a intersecção do CI e competências. Apesar da produção científica em cada um dos temas separados ser vasta, a busca pela relação entre os dois conceitos é limitada. A intersecção entre os dois campos pode fornecer subsídios mais concretos para a compreensão das competências no âmbito da GC.
Como contribuição prática, os resultados oferecem subsídios para gestores promoverem a gestão do conhecimento e a identificação, mensuração e compartilhamento dos ativos intangíveis, potencializando o capital intelectual e o valor das organizações, assim como seu posicionamento no mercado.
Ficou evidente a contribuição do CI em diferentes perspectivas. No âmbito do mercado, revelou-se a busca pela competitividade das empresas e organizações; nas universidades, o CI como ativo intangível das instituições que promovem a criação e disseminação do conhecimento, indispensáveis ao desenvolvimento socioeconômico; no campo do conhecimento, o CI como um ativo intangível essencial e que agrega valor ao indivíduo e às organizações; no capital verde, o CI promove a sustentabilidade e a consciência ambiental; e, por fim, na inovação, o CI, que é resultado da força de trabalho humana aplicada às tecnologias, promovendo a criação, o desenvolvimento e os avanços tecnológicos.
Este estudo contribuiu para o conhecimento das produções científicas acerca dos temas CI e competências, bem como para a compreensão da relevância dos temas no atual cenário, onde o conhecimento é um ativo valioso tanto para a sociedade quanto para as organizações, sendo ele fator fundamental no desenvolvimento de competências e um ativo intangível que agrega valor ao CI.
Os resultados desta pesquisa limitam-se às bases de dados consultadas. Resultados mais amplos podem ser obtidos a partir de uma busca em outras bases de dados adicionais, tais como Google Scholar, PsycINFO e EBSCO. Para pesquisas futuras, recomenda-se o aprofundamento de pesquisas que explorem a relação entre capital intelectual e competências, especialmente o impacto do desenvolvimento de competências para a organização e o mercado de trabalho.
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