ESG and financial performance: a systematic
literature review based on content analysis
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Keylle Ranielle dos Santos |
Mestre em
Gestão do Conhecimento nas Organizações. Universidade Cesumar (Unicesumar) – Brasil.
keylleranielle@hotmail.com |
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Marcos Aurélio Brambilla |
Doutor em Teoria
Econômica. Universidade Cesumar (Unicesumar) – Brasil. marcos-brambilla@hotmail.com |
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Thaise
Moser Teixeira |
Doutora em Ciência e
Tecnologia Ambiental. Universidade Cesumar (Unicesumar) – Brasil. thaise.teixeira@unicesumar.edu.br |
RESUMO
Palavras-chave: Sustentabilidade.
Vantagem competitiva. Retorno financeiro. Retorno econômico. Desenvolvimento
sustentável.
ABSTRACT
The objective of this study was to
conduct a theoretical mapping of the relationship between ESG (Environmental,
Social, and Governance) practices and companies’ economic and financial
indicators. To this end, an applied research design was adopted, with a
qualitative approach supported by quantitative textual analysis techniques and
exploratory and descriptive objectives. For the selection of articles, a
Systematic Literature Review (SLR) was conducted for the period from 2019 to
2023, following the Systematic Search Flow (SSF) method. The analytical
approach involved content analysis using word cloud analysis, similarity
analysis, and Descending Hierarchical Classification (DHC), conducted with the
support of the Iramuteq software. The results indicated that the main economic
and financial indicators identified were Tobin’s Q as an economic indicator and
Return on Assets (ROA) and Return on Equity (ROE) as financial indicators.
These indicators are associated with sustainability and ESG practices. However,
the findings also revealed that there is no consensus in the literature regarding
the relationship between ESG and financial performance. The identified
indicators can be used by all stakeholders, facilitating more strategic
decision-making. For managers and investors, understanding these indicators is
important because it enables an assessment that goes beyond immediate economic
and financial returns by also incorporating the risks and opportunities
associated with sustainable practices.
Keywords: Sustainability. Competitive Advantage. Financial performance.
Economic performance. Sustainable development.
Recebido em 22/10/2024. Aprovado em 09/04/2026. Avaliado pelo sistema double blind peer review. Publicado conforme normas da APA.
https://doi.org/10.22279/navus.v18.2041
1 INTRODUÇÃO
A incorporação da sustentabilidade nos modelos de gestão empresarial tem se tornado uma prioridade para diversos setores econômicos e, principalmente, para investidores, fornecedores, clientes, governo e demais partes interessadas no avanço da sustentabilidade. Com a crescente demanda da sociedade por práticas mais responsáveis, as empresas têm intensificado seus esforços para adotar práticas mais sustentáveis. Esse movimento reflete uma conscientização crescente sobre a importância de práticas sustentáveis, focadas na redução dos impactos negativos sobre o meio ambiente e na promoção de uma gestão mais responsável dos recursos, além de uma participação mais ativa no campo social (Silva et al., 2021).
Desta forma, a sustentabilidade empresarial tem se tornado um ponto de atenção para as organizações que buscam não apenas a sua sobrevivência no mercado, mas também a criação de valor por um longo período de tempo. A sustentabilidade, que está relacionada ao conceito de desenvolvimento sustentável, ganhou destaque a partir dos anos 1970 e enfatiza a necessidade do equilíbrio entre as dimensões econômica, social e ambiental, assegurando que as necessidades das gerações presentes e futuras sejam atendidas (Almeida, 2002). A sustentabilidade empresarial emergiu como uma vantagem competitiva no mundo empresarial, oferecendo benefícios tangíveis e mensuráveis para as empresas, ao integrar os pilares econômico, social e ambiental (De Paula et al., 2017).
No início dos anos 2000, as nações filiadas à Organização das Nações Unidas (ONU) comprometeram-se a erradicar a extrema pobreza, resultando na Declaração do Milênio da ONU, um documento que estabeleceu oito objetivos a serem alcançados até 2015 (ONU, 2000). Com o término dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) em 2015, a ONU introduziu uma nova agenda voltada para a promoção do desenvolvimento sustentável (Pacto Global, 2023). Essa agenda, conhecida como Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) ou Agenda 2030, é composta por 17 objetivos e 169 metas, que têm como finalidade promover o equilíbrio entre as dimensões econômica, social e ambiental no período de 2015 a 2030.
O conceito de Triple Bottom Line (TBL), proposto por Elkington (1998), é fundamental para entender essa inter-relação entre os pilares econômico, social e ambiental do desenvolvimento sustentável. Empresas que adotam práticas sustentáveis, alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), não apenas buscam retornos econômicos para seus acionistas, mas também promovem a proteção ambiental e o bem-estar social (Assaf Neto, 2020). Essas empresas são capazes de equilibrar seus objetivos de lucratividade com as necessidades de sustentabilidade global, o que é essencial para a perenidade dos negócios.
Neste contexto, a sigla ESG (Environmental, Social and Governance), que abrange as dimensões Ambiental (E), Social (S) e de Governança (G), surge como um tema de destaque no cenário da sustentabilidade. Desde então, as empresas têm buscado aprofundar seu entendimento e aprimorar suas práticas nas áreas ambiental, social e de governança, com o objetivo de alinhar suas atividades às métricas e indicadores estabelecidos para essas áreas. Essa busca supera os interesses financeiros imediatos, visando também à criação de vantagem competitiva no mercado em que atuam (Pereira et al., 2021).
No que se refere ao termo ESG, a European Banking Authority (EBA), uma entidade independente da União Europeia (UE), desempenha um papel importante na garantia da solidez e integridade do setor bancário na região, promovendo, assim, a estabilidade financeira. Em seu relatório de 2021, a EBA destaca a importância das três dimensões ESG — ambiental, social e governança — no contexto da sustentabilidade empresarial.
Nos últimos anos, o interesse pelo conceito de ESG tem crescido substancialmente nos âmbitos acadêmico, empresarial e político. Esse termo tem se tornado um ponto central em diversos estudos. Grande parte dessas pesquisas se concentra em quantificar o impacto das práticas ESG nos retornos financeiros das empresas (Gavrilakis & Floros, 2023). Apesar da predominância dos estudos que apontam para os impactos positivos das práticas ESG, existem estudos que contrapõem esses resultados (Buallay, 2019; Iancu et al., 2023; Remo-Diez et al., 2023).
Para que essa quantificação seja possível, podem ser empregados indicadores, que, conforme definidos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), são parâmetros ou valores derivados de outros parâmetros que fornecem informações sobre o estado de um aspecto, ambiente ou área específica. A relevância dos indicadores transcende seu valor numérico, pois eles oferecem informações significativas que permitem uma compreensão mais abrangente e profunda de um contexto específico, com um propósito definido (OCDE, 1993).
Logo, o objetivo central dos indicadores é mensurar e quantificar informações de forma que sua relevância seja claramente evidenciada. Eles têm a função de simplificar dados associados a fenômenos complexos, facilitando, assim, a otimização do processo de comunicação (Bellen, 2005). As teorias que abordam a análise do desempenho econômico de uma empresa estão voltadas para o retorno obtido sobre o capital investido pelos sócios (Andia, 2007). Em contraste, a análise do desempenho financeiro concentra-se na eficiência com que os ativos da organização são utilizados. Avaliar esse desempenho é fundamental para entender a saúde financeira ao longo de um período específico e também para realizar comparações entre empresas semelhantes ou dentro do mesmo setor (Teixeira, 2008).
Os indicadores econômicos e financeiros têm como objetivo identificar as conexões entre diferentes aspectos das demonstrações contábeis, proporcionando uma compreensão mais detalhada da situação financeira da empresa. Esses indicadores são organizados em categorias como liquidez, operacionalidade, rentabilidade, endividamento e estrutura, sendo fundamentais para esse processo de análise. Além disso, esses indicadores permitem a comparação entre empresas, fornecendo informações valiosas sobre concorrentes e padrões do setor e do mercado. É a partir das demonstrações contábeis que as empresas obtêm dados essenciais para avaliar sua posição econômica e financeira (Assaf Neto, 2020).
De acordo com Borokova e Wu (2020), estudos ainda evidenciam resultados inconsistentes quanto à relação entre o desempenho ESG e os retornos financeiros das empresas. Alguns estudos indicam que empresas consideradas mais "sustentáveis" ou "socialmente responsáveis" apresentavam retornos mais baixos em comparação com o mercado de referência, o que poderia representar menor desempenho financeiro. Porém, ainda segundo os autores, outros estudos sugerem que fundos e ações com foco em responsabilidade social podem superar seus pares, apresentando menor risco e melhores retornos a longo prazo. Diversos estudos sugerem que as empresas podem se beneficiar em termos de desempenho financeiro e valor de mercado ao adotar práticas sustentáveis, como a integração de critérios ESG à estratégia de gestão. No entanto, esses resultados ainda não são consensuais na literatura (Buallay, 2019; Iancu et al., 2023; Remo-Diez et al., 2023).
Compreendendo a importância dos termos sustentabilidade e ESG e a variedade de indicadores disponíveis e utilizados nesses contextos, surge a necessidade de uma análise para identificar a relação entre as práticas ESG e os principais indicadores de desempenho econômico e financeiro, de modo a orientar pesquisadores, gestores, investidores e outras partes interessadas na avaliação do desempenho das empresas sob uma perspectiva sustentável. Dessa forma, a partir do que foi exposto, este estudo busca responder ao seguinte questionamento: Quais as relações e os principais indicadores de desempenho econômico e financeiro das empresas que têm sido utilizados no contexto da sustentabilidade e das práticas ESG?
2 METODOLOGIA
Para alcançar o objetivo deste estudo, que é
analisar a relação entre as práticas ESG e os indicadores econômicos e
financeiros, optou-se pela Revisão Sistemática da Literatura (RSL). A RSL
consiste em um processo de investigação científica rigoroso, utilizando um
método de pesquisa que busca identificar, selecionar, coletar, analisar e
descrever possíveis contribuições (Ferenhof & Fernandes, 2016). Para isso,
o protocolo de busca foi baseado no método desenvolvido por Ferenhof e
Fernandes (2016), conhecido como Systematic Search Flow (SSF). O método SSF
compreende quatro fases e oito etapas, conforme apresentado na Figura 1.
Figura 1
Representação do método SSF
Fonte: Ferenhof e Fernandes (2016, p.3).
A primeira fase do método inclui o protocolo de pesquisa, o qual envolve cinco etapas: estratégia de busca, consulta às bases de dados, gestão de documentos, padronização e seleção dos documentos e composição do portfólio de documentos. Na segunda fase, é realizada a análise, que consiste na consolidação dos dados. A terceira fase, por sua vez, é dedicada à síntese, compreendendo a elaboração dos relatórios. Por último, a quarta fase envolve a consolidação dos resultados por meio da redação dos resultados da busca.
Para facilitar o tratamento dos dados, foi utilizada a plataforma Rayyan, uma ferramenta web gratuita de colaboração em pesquisa. Essa plataforma auxilia na condução de revisões de literatura e revisões sistemáticas, ajudando os pesquisadores a identificar estudos relevantes para suas pesquisas (Rayyan, 2024).
Inicialmente, foram definidas as palavras-chave relevantes para a pesquisa. Em seguida, a busca foi realizada combinando três dessas palavras-chave, utilizando o operador lógico “AND”, para garantir a seleção apenas dos artigos que incluíssem todos os termos especificados nos campos de busca. As palavras-chave compostas por mais de um termo foram delimitadas por aspas, garantindo a precisão das combinações apresentadas nos estudos.
O estudo empregou palavras-chave em inglês, seguidas de buscas correspondentes em português. O Portal de Periódicos da Capes serviu como base de dados para a pesquisa, conduzida entre janeiro e fevereiro de 2024. Os resultados da busca em ambos os idiomas são apresentados na Tabela 1, com destaque para o termo ESG como uma das palavras-chave.
Tabela
1
Resultado
das buscas em inglês e português destacando o termo ESG
|
Palavras-chave |
Resultado Inglês |
Resultado Português |
||
|
Indicator / Indicador |
ESG |
Profit / Lucro |
28 |
1 |
|
Revenue / Receita |
3 |
0 |
||
|
“Cash flow” / “Fluxo de caixa” |
4 |
1 |
||
|
“Debt ratio” / Endividamento |
1 |
0 |
||
|
Liquidity / Liquidez |
5 |
1 |
||
|
“Return On Assets” (ROA) / “Retorno Sobre Ativos” (ROA) |
28 |
0 |
||
|
“Return On Equity” (ROE) / “Retorno sobre Patrimônio Líquido” (ROE) |
18 |
0 |
||
|
“Economic Value Added” (EVA) / “Valor econômico
adicionado” (EVA) |
2 |
0 |
||
|
“Operating margin” / “Margem operacional” |
0 |
0 |
||
|
“Profit margin” / “Margem de lucro” |
3 |
0 |
||
|
Profitability / Rentabilidade |
31 |
0 |
||
|
“Financial Efficiency” / “Eficiência Financeira” |
1 |
0 |
||
|
“Economic Performance” / “Desempenho Econômico” |
12 |
4 |
||
|
“Financial Performance” / “Desempenho Financeiro” |
108 |
3 |
||
|
EBITDA |
2 |
0 |
||
|
Total de artigos encontrados por idioma |
246 |
10 |
||
|
Total de artigos encontrados gerais |
256 |
|||
Para estabelecer critérios de seleção, foram escolhidos artigos publicados em inglês e português, englobando o período de 2019 a 2023. Essa seleção tem por objetivo assegurar a inclusão de estudos recentes e pertinentes à análise proposta. Após a aplicação desses critérios, foram encontrados 256 resultados nas pesquisas conduzidas tanto em inglês quanto em português, com destaque para o termo ESG. Em seguida, a Tabela 2 apresenta pesquisas semelhantes, porém priorizando a palavra-chave “sustentabilidade”. Nessa fase, observou-se um aumento significativo no número de resultados, totalizando 3.232 artigos. Evidenciando a considerável produção científica relacionada ao tema da sustentabilidade em comparação com o termo ESG.
Tabela
2
Resultado
das buscas em inglês e português destacando o termo Sustentabilidade
|
Palavras-chave |
Resultado Inglês |
Resultado Português |
||
|
Indicator / Indicador |
Sustainability / Sustentabilidade |
Profit / Lucro |
669 |
15 |
|
Revenue / Receita |
429 |
8 |
||
|
“Cash Flow” / “Fluxo De Caixa” |
100 |
5 |
||
|
“Debt Ratio” / Endividamento |
17 |
4 |
||
|
Liquidity / Liquidez |
95 |
12 |
||
|
“Return On Assets” (ROA) / “Retorno Sobre Ativos” |
111 |
0 |
||
|
“Return On Equity” (ROE) / “Retorno Sobre Patrimônio Líquido” |
63 |
0 |
||
|
“Economic Value Added” (EVA) / “Valor Econômico Adicionado” |
23 |
0 |
||
|
“Operating Margin” / “Margem Operacional” |
4 |
0 |
||
|
“Profit Margin” / “Margem De Lucro” |
48 |
0 |
||
|
Profitability / Rentabilidade |
672 |
24 |
||
|
“Financial Efficiency” / “Eficiência Financeira” |
24 |
0 |
||
|
“Economic Performance” / “Desempenho Econômico” |
453 |
13 |
||
|
“Financial Performance” / “Financial Performance” |
430 |
5 |
||
|
EBITDA |
8 |
0 |
||
|
Total de artigos
encontrados por idioma |
3.146 |
86 |
||
|
Total de artigos
encontrados gerais |
3.232 |
|||
Inicialmente, foram identificados e submetidos a uma avaliação um total de 3.488 artigos, seguindo quatro etapas distintas de inclusão e exclusão. Conforme pode ser observado na Tabela 3, na primeira fase, os artigos duplicados foram eliminados, resultando na remoção de 1.807 documentos e deixando 1.681 para análise subsequente. Na segunda etapa, foram examinados os títulos dos artigos, e aqueles que não estavam alinhados com o objetivo do estudo foram excluídos, totalizando 1.470 artigos eliminados e restando 211 para avaliação adicional. Na terceira etapa, os resumos dos artigos restantes foram avaliados, e apenas aqueles que estavam em conformidade com os objetivos do estudo foram mantidos, resultando na exclusão de 160 artigos.
Finalmente, na quarta etapa, foram considerados apenas os artigos disponíveis gratuitamente para download, resultando na exclusão de mais 18 artigos. Após a aplicação desses critérios de seleção, restaram 33 artigos, conforme a Tabela 3. Os artigos em inglês foram traduzidos para o português utilizando o Google Tradutor, permitindo que fossem integralmente lidos e analisados para a elaboração deste estudo, completando, assim, a primeira fase do método SSF. Após a revisão dos 33 artigos, dois foram excluídos por apresentarem apenas indicadores de sustentabilidade e qualidade, resultando na utilização de 31 artigos na RSL.
Tabela
3
Resultado
das buscas com a aplicação das quatro etapas de inclusão e exclusão
|
Etapa |
Artigos excluídos |
Resultado |
|
Inicial |
- |
3.488 |
|
Primeira etapa |
1.807 |
1.681 |
|
Segunda etapa |
1.470 |
211 |
|
Terceira etapa |
160 |
51 |
|
Quarta etapa |
18 |
33 |
Nas fases segunda e terceira do método SSF, que abrangem a consolidação de dados e a elaboração de relatórios, os resumos dos 31 artigos foram agrupados em um único documento. Este documento foi então analisado por meio da Análise de Conteúdo, utilizando o software Iramuteq. Assim, a etapa final do método SSF, que inclui a redação dos resultados, foi desenvolvida de forma integrada com as percepções extraídas da análise de conteúdo realizada com o auxílio do software Iramuteq.
Este software permite a realização de diversos tipos de análises de dados textuais, variando desde as mais simples, como a lexicografia básica (cálculo da frequência de palavras), até análises multivariadas mais complexas, como a Classificação Hierárquica Descendente (CHD) e a Análise de Similitude. O Iramuteq organiza a distribuição do vocabulário de maneira compreensível e apresenta os resultados de forma visualmente clara, facilitando a interpretação por meio das Análises de Similitude e da Nuvem de Palavras (Camargo & Justo, 2013).
Bardin (2011) aponta que a análise de conteúdo tem como objetivo inferir conhecimentos relacionados às condições de produção ou recepção, utilizando-se de indicadores, sejam eles quantitativos ou não. Com base nessa abordagem, foi adotado o método de análise de conteúdo descrito em sua obra “Análise de Conteúdo”, seguindo as etapas detalhadas a seguir.
Pré-análise: Nesta fase, busca-se identificar e analisar os principais indicadores econômicos e financeiros utilizados em estudos recentes para explicar a relação das empresas com a sustentabilidade e com as práticas ESG. Para tanto, foram selecionados os documentos a serem analisados, consistindo nos resumos dos artigos obtidos na base de dados do Portal de Periódicos da CAPES.
Preparação e Exploração do Material: Durante esta fase, o software Microsoft Word foi utilizado para organizar os resumos dos 31 artigos selecionados e configurar o corpus textual. Posteriormente, o software Iramuteq foi empregado para explorar o material e realizar a análise dos dados.
Tratamento e Interpretação dos Resultados: Nesta etapa, o software Iramuteq foi utilizado para realizar operações estatísticas, visando quantificar a frequência com que os indicadores foram mencionados nos artigos. Inicialmente, foram analisadas as frequências dos indicadores econômicos e financeiros relacionados à sustentabilidade e ao ESG por meio de estatísticas textuais. Em seguida, os indicadores foram identificados através da análise da Nuvem de Palavras, Análise de Similitude e a CHD foram empregadas para entender as relações de proximidade ou distanciamento entre as palavras. Finalmente, para a análise dos indicadores, foi conduzida a Análise Fatorial por Correspondência (AFC) com o objetivo de identificar as relações entre as práticas ESG e os indicadores econômicos e financeiros.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Neste tópico, serão apresentados os resultados e as discussões resultantes da análise dos dados coletados, extraídos dos artigos selecionados nas etapas iniciais do método Systematic Search Flow (SSF) de Revisão Sistemática da Literatura (RSL). Para auxiliar na análise de conteúdo, utilizou-se o software Iramuteq, que possibilitou a geração de Nuvens de Palavras, a realização da Análise de Similitude entre os textos, a aplicação da Classificação Hierárquica Descendente (CHD) e a condução da Análise Fatorial por Correspondência (AFC) no corpus textual.
O corpus textual utilizado na análise foi composto por 31 textos, totalizando 191 segmentos, conforme indicado pelo software Iramuteq. A análise revelou a presença de 1.226 hápax, ou seja, palavras que ocorreram apenas uma vez em todo o corpus. A aplicação da CHD indicou que 136 dos 191 segmentos de texto foram classificados com sucesso, resultando em uma taxa de retenção de 71,20%. Esse percentual demonstra a relevância e a consistência dos dados analisados (Nunes et al., 2021). A seguir, serão apresentados os resultados das análises da Nuvem de Palavras, a Análise de Similitude entre os textos, a aplicação da CHD e a condução da AFC do corpus textual.
3.1
Análise da Nuvem de Palavras
A análise da Nuvem de Palavras possibilita a identificação dos termos mais recorrentes nos resumos dos artigos incluídos nesta revisão. Os termos mais frequentes são destacados visualmente por meio de um tamanho ampliado, oferecendo uma representação gráfica que facilita a compreensão rápida e visual dos principais temas abordados no corpus textual analisado (Salviati, 2017). A Figura 2, a seguir, apresenta a Nuvem de Palavras gerada pelo software Iramuteq.
Figura
2
Nuvem
de Palavras formada no software Iramuteq.
A Nuvem de Palavras foi gerada a partir de 200 formas ativas, utilizando um software configurado para identificar termos com, no mínimo, nove repetições. Essa nuvem destaca os termos mais frequentes e relevantes extraídos dos 31 resumos analisados para esta revisão sistemática da literatura. O termo "empresa" aparece com maior destaque, sinalizando um foco predominante em contextos empresariais. Em seguida, "ESG" se sobressai, refletindo uma ênfase nas questões ambientais, sociais e de governança. Outros termos relevantes incluem "estudo", "indicador", "desempenho", "resultado", "relação", "desempenho financeiro", "sustentabilidade", "retorno sobre o patrimônio líquido" (ROE) e "retorno sobre o ativo" (ROA). Essa visualização oferece uma análise concisa dos temas abordados nos resumos dos artigos, evidenciando áreas de interesse como empresas, ESG, desempenho financeiro e indicadores de rentabilidade.
Em relação a esses achados, Silva e Lucena (2019) exploram a relação positiva entre a adesão ao Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) e o ROA, destacando a relevância do termo "retorno sobre o ativo" na nuvem de palavras. Da mesma forma, Marcelino et al. (2023) ressaltam o impacto da sustentabilidade empresarial nos indicadores de rentabilidade, como ROE e ROA, sublinhando a importância desses indicadores no contexto do desempenho econômico-financeiro das empresas.
3.2
Análise de similitude
A Análise de Similitude examina as palavras mais citadas nos resumos dos 31 artigos e suas interconexões dentro do corpus textual analisado. Por meio de um grafo que representa as ligações entre as palavras do corpus, é possível identificar a estrutura do texto e os temas de maior relevância (Salviati, 2017). A Figura 3 ilustra as ramificações que demonstram as conexões entre os 31 resumos dos artigos.
Figura
3
Ramificações
que ilustram as conexões do corpus textual
A análise das conexões resultantes da Análise de Similitude revela uma estreita relação entre a sigla “ESG” e a palavra “empresa”, que emerge como o tema central das discussões nos artigos. Além de “ESG”, termos como “desempenho” e “resultado” também se destacam, junto a palavras como “pontuação”, “contribuir”, “relação”, “rentabilidade”, “mercado” e “global”, refletindo a amplitude e a relevância do tema abordado. Conforme Iancu et al. (2023), empresas que adotam boas práticas ESG demonstram maior rentabilidade e retorno sobre ativos, ressaltando a relação entre “ESG” e “empresa” e sua associação com os termos “desempenho” e “resultado”.
É importante destacar que, na subramificação de “resultado”, aparecem os termos “positivo” e “negativo”, o que pode indicar a falta de consenso na literatura quanto ao impacto das práticas ESG sobre o desempenho econômico e financeiro das empresas. Diversos estudos apontam que as práticas ESG exercem efeito positivo sobre o desempenho financeiro (Friede et al., 2015; Brogi & Lagasio, 2019; López-Toro et al., 2021; Alamsyah & Muljo, 2023; Chininga et al., 2023). Contudo, trabalhos como o de Iancu et al. (2023) indicam uma relação negativa em empresas listadas na bolsa de valores norte-americana (NASDAQ).
No contexto da palavra "empresa", observamos uma rede mais densa de conexões, com destaque para "desempenho financeiro", que se relaciona a termos como "indicador", "estudo" e "desempenho econômico". Indicadores como "retorno sobre patrimônio líquido" (ROE), "retorno sobre o ativo" (ROA) e "Q de Tobin" estão intrinsecamente ligados à palavra "empresa", destacando a importância desses indicadores na avaliação do desempenho e da sustentabilidade das empresas. Segundo López-Toro et al. (2021), a integração das práticas ESG não só contribui para a sustentabilidade, mas também para a melhoria dos principais indicadores financeiros (ROA, ROE) e econômico (Q de Tobin), confirmando a relevância desses termos na Análise de Similitude.
3.3
Análise da Classificação Hierárquica Descendente (CHD)
O objetivo da análise da Classificação Hierárquica Descendente (CHD) é identificar e apresentar grupos de segmentos textuais que compartilham vocabulário semelhante ou divergente. A classificação dos termos é realizada com base na proximidade das palavras, permitindo a associação dessas palavras a classes específicas (Salviati, 2017). A Figura 4 ilustra a categorização das classes geradas pelo software Iramuteq.
Figura
4
Categorização
das classes - software Iramuteq
O software Iramuteq identificou cinco classes na CHD, permitindo a análise das interconexões entre elas. A Classe 1, representada pela cor vermelha, abrange questões relacionadas a relatórios de sustentabilidade e desempenho financeiro. Nessa classe, destacam-se termos como “pontuação”, “divulgação”, “Q de Tobin”, “ROA”, “ROE”, “ESG”, “investimentos”, “sustentabilidade”, “relação” e “relatório”, indicando um foco na divulgação e avaliação do desempenho em sustentabilidade e ESG, bem como na relação entre as práticas ESG e indicadores financeiros como Q de Tobin, ROA e ROE.
A literatura indica, de forma predominante, um impacto positivo das práticas ESG sobre o desempenho financeiro. Especificamente, estudos como os de López-Toro et al. (2021), Alamsyah e Muljo (2023) e Chininga et al. (2023) consideraram indicadores de desempenho como ROE, ROA e Q de Tobin, enquanto trabalhos como o de Brogi e Lagasio (2019) chegaram a esse resultado com base em apenas um indicador (ROA). No entanto, esse efeito positivo não é consenso na literatura, uma vez que Iancu et al. (2023) sugerem a existência de um impacto negativo das práticas ESG sobre o desempenho financeiro.
A predominância de evidências que apontam para efeitos positivos pode refletir tanto ganhos de eficiência operacional quanto benefícios associados à adoção de práticas sustentáveis. No entanto, a ausência de consenso na literatura sugere que essa relação está relacionada a fatores contextuais, como o setor de atuação, o ambiente institucional e o nível de maturidade das práticas ESG nas empresas analisadas. Dessa forma, a Classe 1 não apenas sintetiza a associação entre ESG e desempenho financeiro, mas também evidencia a complexidade e a heterogeneidade dos resultados encontrados, reforçando a necessidade de abordagens analíticas que considerem variáveis moderadoras e contextuais.
A Classe 2, destacada em cinza, agrupa termos associados ao desempenho econômico e ao capital intelectual, com palavras-chave como “desempenho”, “capital intelectual”, “ISE”, “margem líquida”, “ROE”, “EBITDA” (lucro conquistado antes da incidência de juros, depreciação, impostos e amortização) e “inovação”. Essa classe evidencia a conexão entre o desempenho econômico e o capital intelectual, destacando indicadores como ROE, EBITDA e margem líquida em associação à inovação e à valorização do capital intelectual nas empresas. Kneipp et al. (2018) ressaltam que sustentabilidade e inovação se tornaram termos centrais na última década, com a inovação sendo essencial para o crescimento empresarial dentro de um contexto de desenvolvimento sustentável e social.
Jordão et al. (2022) destacam o impacto positivo do capital intelectual sobre o retorno econômico e financeiro. Por outro lado, o estudo de Marcelino et al. (2023) avaliaram empresas aderentes ao Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3-Brasil, Bolsa, Balcão (ISE), e evidenciaram que empresas não aderentes ao ISE tem maiores ROI e margem líquida. Esse resultado pode ser explicado por maiores investimentos nas práticas ESG, uma vez que esses investimentos podem aumentar a base de ativos (Ativo Total) ou de patrimônio (PL), sem gerar um lucro líquido imediato proporcional. Contudo, apesar de esses investimentos poderem reduzir o ROA ou o ROE, as práticas ESG tendem a resultar em um melhor desempenho financeiro a longo prazo.
A Classe 3, representada em verde, foca em aspectos relacionados às estratégias empresariais e aos stakeholders, sendo composta por termos como “informação”, “stakeholders”, “recurso”, “empresarial”, “ciclo”, “desenvolvimento” e “estratégia”. Essa classe explora a relação entre a gestão estratégica empresarial e o envolvimento dos stakeholders, com ênfase no uso de recursos e na implementação de estratégias de desenvolvimento sustentável ao longo do ciclo empresarial, reconhecendo a importância dos stakeholders. Sousa-Zomer e Miguel (2018) observam que o crescente interesse público pela sustentabilidade levou os governos a adotarem medidas mais rigorosas de proteção ambiental, o que, por sua vez, direcionou os stakeholders a investir em projetos focados em inovação e sustentabilidade.
Os investimentos em práticas ESG tendem a ser mais evidentes em empresas de capital aberto, que, além de buscarem o desempenho financeiro interno, também procuram atrair investidores externos, mantendo uma busca contínua pela valorização de mercado. Nesse contexto, a B3 criou o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), com o objetivo de incentivar e dar visibilidade à divulgação de práticas de sustentabilidade das empresas listadas na bolsa. Dessa forma, os investidores podem avaliar o nível de desempenho das empresas que aderem ao ISE para subsidiar a tomada de decisão de investimento. Evidências empíricas reforçam essa relação, como no estudo de Silva e Lucena (2019), que identificaram uma associação positiva entre a participação no ISE e o ROA, enquanto Marcelino et al. (2023) observaram que empresas aderentes ao ISE apresentam indicadores financeiros superiores de ROE e ROA.
A Classe 4, representada pela cor azul, concentra-se na cadeia de abastecimento e no desempenho, com termos como “cadeia”, “abastecimento”, “desempenho”, “financeiro”, “econômico” e “RSE” (Responsabilidade Social Empresarial), destacando aspectos relacionados à otimização da cadeia de suprimentos. Essa classe evidencia diferentes impactos associados ao eixo social das práticas ESG. Um estudo longitudinal realizado por Remo-Diez et al. (2023) destacou que, em empresas do setor de serviços públicos, as práticas sociais apresentam efeito positivo sobre o desempenho financeiro, mesmo na ausência de práticas do pilar ambiental, enquanto as práticas de governança não exercem influência significativa. Por outro lado, Adamkaite et al. (2023) apontam que a Responsabilidade Social Corporativa não exerce influência sobre o desempenho financeiro em empresas do setor de energia na Lituânia.
Finalmente, a Classe 5, destacada em roxo, aborda questões relacionadas à análise estatística e aos indicadores, com termos como “significativo”, “modelo”, “tamanho”, “estatística”, “regressão” e “ativo”, focando em modelos estatísticos utilizados para analisar indicadores financeiros e econômicos e sua significância. Isso sugere que a literatura tem avançado no sentido de incorporar abordagens quantitativas mais robustas, utilizando técnicas de análise de dados para capturar as relações entre as práticas ESG e o desempenho corporativo.
3.4
Análise Fatorial por Correspondência (AFC)
O objetivo da Análise Fatorial por Correspondência (AFC) é fornecer uma representação gráfica dos dados que facilite a visualização da proximidade entre as classes de palavras. Os procedimentos realizados incluem o cálculo das frequências e os valores de correlação qui-quadrado das palavras no corpus (Salviati, 2017). A Figura 5 apresenta a ilustração da AFC.
Figura
5
Representação
da AFC do corpus
A AFC revela padrões significativos de associações entre os termos e a categorização das palavras, conforme descrito anteriormente na CHD. Nota-se que as classes 1, 4 e 5 estão interligadas, abordando questões financeiras, como indicadores (ROA, ROE, Q de Tobin), desempenho, técnicas de análise de dados e medidas, além de aspectos relacionados ao ESG. Assim, observa-se a conexão entre temas ligados ao desempenho econômico-financeiro e ao ESG, destacando-se os principais indicadores que têm sido empregados em pesquisas sobre sustentabilidade e ESG no contexto empresarial.
Em diversas pesquisas recentes, incluindo os estudos de Buallay (2019), López-Toro et al. (2021), Jordão et al. (2022), Adamkaite et al. (2023), Kayakus et al. (2023), Alamsyah e Muljo (2023), Chininga et al. (2023), Iancu et al. (2023), Marcelino et al. (2023), Celestino et al. (2023), Bogdan et al. (2023), Moreira et al. (2023) e Remo-Diez et al. (2023), o ROA, o ROE e o Q de Tobin foram utilizados como importantes indicadores de desempenho empresarial.
Os resultados nas Classes 2 e 3 indicam que a interligação entre as classes 1, 4 e 5 não é linear nem homogênea, podendo variar em função de fatores como o horizonte temporal dos investimentos, o setor de atuação e o nível de maturidade das práticas ESG nas organizações. Embora haja predominância de estudos que apontam relações positivas entre as práticas ESG e o desempenho financeiro, não há consenso na literatura. Conforme observado nas Classes 2 e 3, ambas localizadas no lado direito do plano cartesiano, os resultados negativos e a ausência de influência dos pilares de sustentabilidade podem estar relacionados ao caráter dos investimentos realizados, cujos retornos tendem a se manifestar no longo prazo.
4 CONCLUSÃO
Este estudo realizou
uma análise da relação entre as práticas ESG (Environmental, Social, and
Governance) e os indicadores econômicos e financeiros das empresas. Por meio de
uma Revisão Sistemática da Literatura (RSL), que utilizou o método Systematic
Search Flow (SSF) e a análise de conteúdo como abordagem analítica, foi
identificado que indicadores de retorno econômico (Q de Tobin) e financeiros
(Retorno sobre os Ativos (ROA) e Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE))
estão relacionados com as práticas ESG.
Os resultados indicam
que a integração de critérios ESG nas estratégias empresariais tem ganhado
destaque, especialmente devido à crescente demanda por práticas sustentáveis e
à pressão dos stakeholders por uma gestão mais responsável. Apesar de a maioria
dos estudos apontar para relações positivas entre as práticas ESG e o
desempenho financeiro, esses resultados não são consensuais na literatura. As
análises da Nuvem de Palavras e da Análise de Similitude dos textos reforçam a
centralidade de termos como “empresa”, “desempenho”, “sustentabilidade” e
“ESG”, indicando que esses aspectos estão presentes nas discussões atuais sobre
competitividade e valor de mercado.
Além disso, a
Classificação Hierárquica Descendente (CHD) e a Análise Fatorial por Correspondência
(AFC) destacaram a interconexão entre os temas ESG e os indicadores econômicos
e financeiros, demonstrando que práticas sustentáveis não apenas contribuem
para a preservação ambiental e o bem-estar social, mas também para a melhoria
do desempenho econômico e financeiro das empresas.
As implicações deste
estudo são significativas tanto para o campo acadêmico quanto para a prática
empresarial. Acadêmicos podem utilizar os achados desta revisão para orientar
futuras pesquisas que busquem entender mais profundamente as variáveis que
influenciam a relação entre as práticas ESG e o desempenho econômico e
financeiro das empresas. Por outro lado, gestores e investidores podem se
beneficiar dos insights fornecidos para tomar decisões mais embasadas, que considerem
não apenas os retornos financeiros imediatos, mas também os riscos e
oportunidades associados à adoção de práticas sustentáveis.
Ademais, a relevância
dos indicadores econômicos e financeiros no contexto da sustentabilidade
ressalta a necessidade de sua consideração na avaliação do desempenho
corporativo, que deve ir além da simples análise dos lucros e incluir aspectos
sociais e ambientais. Este estudo contribui para a compreensão dessa complexa
relação, oferecendo uma base para a continuidade das discussões sobre a
integração dos critérios ESG nas estratégias empresariais.
Uma limitação do estudo
é a utilização apenas dos resumos dos artigos, em vez da análise de seus textos
completos. Para futuras pesquisas, sugere-se uma investigação mais detalhada
das diferenças setoriais e regionais nas relações entre as práticas ESG e o
desempenho empresarial, assim como uma análise longitudinal que explore a evolução
dessas relações com o valor de mercado e a resiliência das empresas ao longo do
tempo. Também seria pertinente explorar como diferentes metodologias de medição
e avaliação dos indicadores ESG podem influenciar os resultados e a percepção de
valor entre os stakeholders.
Por fim, a crescente
importância das práticas ESG no cenário corporativo global indica que a
sustentabilidade deixou de ser apenas uma opção e passou a constituir um
diferencial estratégico para empresas que buscam não apenas sobreviver, mas
prosperar em um mercado cada vez mais competitivo e consciente. A partir dos
estudos apresentados, é possível identificar como a integração de práticas
sustentáveis pode ser um diferencial competitivo, capaz de estar associada à
geração de valor a longo prazo e à continuidade dos negócios.
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